Entre irmãos também pode haver bullying

Pais, saibam como agir diante dessas situações dentro de casa.

Disputa por brinquedo e atenção, implicâncias e até brigas. Todo relacionamento entre irmãos acaba oscilando entre o amor e o ódio. Mas, segundo a Academia Americana de Pediatria, o que muitas vezes é considerado normal pode ser caracterizado como bullying e causar problemas psicológicos que podem acompanhar a criança até sua vida adulta.

Segundo uma pesquisa publicada na revista da Academia, 1 em cada 3 crianças ou adolescentes sofre bullying do irmão, isto é, são vítimas de constante e violenta intimidação psicológicas ou até mesmo agressões físicas. Aqui no Brasil, o IBGE mostrou esta semana que o bullying está mais perto da realidade das crianças do que se imagina: 38,2% dos alunos de Vitória já sofreram este tipo de agressão e 27,5% admitiram ser o responsável pela violência.

EQUILÍBRIO
Apsicóloga Maria Renata Prado, doutora em Educação pela Universidade de Paris, lembra que o conflito entre os irmãos não só é natural, como também pode ser saudável para ensinar algumas habilidades fundamentais para a autonomia da criança. Mas alerta que os pais devem ficar atentos para evitar que algo simples se transforme em um problema.

“O conflito passa a ser considerado bullying quando a agressão é frequente e intensa, sempre pelo mesmo agressor, e quando a vítima começa a desenvolver sintomas. E para que os filhos tenham respeito ao próximo, os pais devem dar o exemplo“, alerta.

A engenheira Raquel Knust, 35 anos, acompanha de perto o conflito dos filhos Rafael, 4 anos, e Renato, 6 para evitar injustiças. Ela acredita que se os pais não ficarem atentos é possível, sim,que um conflito normal se torne algo mais sério. 

“Percebo que o mais novo é esperto e capaz de passar o irmão para trás. É arteiro mesmo. Mas a gente fica atento e, tendo uma regra clara, eles aceitam bem. Sempre quis ter filhos de idades próximas para que eles fossem amigos.Sempre mostramos a importância de um ajudar o outro e vejo que eles já têm isso”, conta.

Bullying
Pesquisa americana Realizada pela Academia Americana de Pediatria, ouviu 3,6 mil crianças e adolescentes e concluiu que 1 em cada 3 sofre alguma forma de bullying dos irmãos

Em Vitória
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, feita pelo IBGE, mostrou que, em Vitória, 38,2% dos alunos sofreram bullying nos últimos 30 dias – só perde para São Paulo, com 38,4% – e 27,5% reconheceram que praticaram o bullying contra um colega – o maior índice nacional

O que é bullying
No bullying, o comportamento agressivo é intencional, repetitivo (o agressor sabe qual é o ponto fraco da vítima e mexe sempre nesta “ferida”) e há uma hierarquia – o mais fraco é oprimido

Consequências
Quem sofre o bullying tem ansiedade, tristeza, insegurança, medos, sono mais agitado, etc.

Entre irmãos
Para a implicância virar bullying, é preciso ter intensidade, com o objetivo de humilhar, e sempre praticada pelo mesmo irmão 

Para os pais
Conflito é normal 
Lembre-se de que o conflito entre irmãos, em níveis moderados, é até saudável. Ensina habilidades interpessoais, de controle emocional e resolução de problemas

Não agrave a situação
Cuidado para não reforçar os abusos entre os filhos, julgando e rotulando as crianças como: “ele é mesmo”, mais forte”, etc.

Observe
Observe seus filhos, pois as vítimas normalmente não relatam o que acontece. Identificado o bullying, converse com seus filhos

Papo sério
Com o agressor Enfatize as consequências da violência, delimite regras e mostre a importância do respeito à individualidade do irmão

Com a vítima
Valorize os seus pontos fortes, habilidades – para aumentar sua segurança e autoestima – e coloque-se sempre à disposição para conversar

RENATA LACERDA
rlacerda@redegazeta.com.br

A gazeta, 21 de junho de 2013

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