História

Como fazer seu filho gostar de História.

Conversamos com professores premiados para conseguir dicas de como estimular seu filho a gostar dessa importante disciplina.

Seu filho não gosta de estudar História ou tem notas baixas? Às vezes é difícil entender a utilidade dessa disciplina quando se é mais novo. Porém, ressaltar desde cedo seu estudo é crucial, porque além de ser importante por si só, a História também ajuda a entender melhor Literatura, Geografia, Sociologia, Filosofia, Artes etc.

Estudar História não se resume a decorar datas e nomes. Na verdade, isso é só uma pequena parte do conhecimento que essa matéria pode oferecer. Mais importante do que saber quando foi o descobrimento do Brasil, é conseguir relacionar os fatos e perceber que as transformações de uma sociedade não são naturais ou espontâneas, mas determinadas por uma série de fatores anteriores.
Sempre que tentamos entender por que alguma coisa aconteceu, seja a Inconfidência Mineira ou uma nota baixa na escola, estamos empregando o pensamento histórico, isto é, a busca pelos fatores que originaram esses acontecimentos. "A história não é o estudo do passado pelo passado, é necessário ir ao passado para a compreensão de todos os questionamentos do tempo presente", explica o historiador Tiago Menta.

Enquanto algumas lições precisam ser aprendidas na pele, existem outras que podemos dispensar a experiência, como a resolução de conflitos por meio de guerras. "Sem a História toda a humanidade desconhece seus êxitos, fracassos, conquistas e está sujeita a cometer um mesmo equívoco novamente", ressalta o professor da disciplina Marcus Vinícius Leite.

Esse raciocínio capaz de entender o que existe por trás dos fatos, explicam os professores, forma também um cidadão melhor. "Não é possível conciliar cidadania com ausência de conhecimentos históricos, noções de tempo-espaço, noções de fenômenos processuais (a história como processo humano, social, cultural e político)", explica Tiago Menta. E esse conhecimento é constantemente exigido pela sociedade, seja no momento de votar ou de posicionar-se diante de algum conflito social, como o racismo.

Pensando em todas essas razões para aprender História, chamamos alguns professores premiados para contar o segredo de seu sucesso e dar algumas dicas para estimular seu filho a explorar esse mundo.

Assistir filmes com temas históricos
     Existem muitos filmes ambientados em diferentes épocas históricas. Assisti-los com seu filho pode ser a deixa para vocês conversarem sobre o período. Desenhos como Hércules, que retrata o herói mitológico na Grécia Antiga, e Mulan, lenda chinesa que se passa no período das Dinastias do Norte e do Sul, ambos da Disney, também podem render boas conversas. Faça perguntas que estimulem a imaginação da criançada: Como será viver nessa época? Do que será que as crianças brincavam? O que comiam? O que vestiam? Quais são as principais diferenças entre o mundo atual e o retratado? Enfim, aproveite o que estão vendo na telinha para instigar a curiosidade de seu filho por outros tempos e civilizações.

Construir a árvore genealógica da família
     Essa atividade pode ajudar seu filho a entender a noção de tempo e da relação de dependência entre passado e futuro, além de ser uma oportunidade para estreitar os laços entre vocês. A professora Elaine Rodrigues de Paula, da cidade mineira de Catas Altas, levou o Prêmio Educador Nota 10 desse ano, da Editora Abril, com o projeto "Objetos e Costumes de Nossos Antepassados", propondo o resgate da história da cidade e da família de cada aluno.

Ela aconselha a aproveitar o período das festas de fim de ano para realizar esse trabalho – que pode ser, inclusive, um presente inesquecível para toda a família. "Procurem por fotos, vídeos e outros documentos para resgatar a origem da família. Desenhem a árvore genealógica até onde puderem, mostrando os casamentos ocorridos ao longo do tempo. Escrevam mini-histórias dos parentes mais distantes", enumera a professora.

Na reunião da família, mostre o produto para todos e convide os parentes mais velhos para contar alguns "causos". A diversão estará garantida!

Visitar museus
     Já dizia a sabedoria popular: quem vive de passado é museu. E é verdade. Visitar museus é uma estimulante viagem pelo tempo. O contato com objetos antigos, marcado por uma estética de cores e formas, é um prato cheio para falar de História e possibilita que seu filho veja tudo aquilo que ele aprende em sala de aula. Além disso, a valorização do acervo do museu mostra a o cuidado com a preservação da história, o que faz seu filho perceber a importância dada à disciplina.

Discutir feriados históricos
     Como geralmente os professores já trabalham o significado dos feriados históricos, a dica é pesquisar em livros ou na internet algumas curiosidades em relação ao dia.

"A participação dos pais é fundamental", defende a professora Elaine Rodrigues de Paula, da cidade mineira de Catas Altas. Comece a conversa com "Você sabe por que hoje é feriado?" e vá contando o que descobrir na sua pesquisa.

"Quando o filho percebe o interesse dos pais pelos conteúdos escolares aprendidos, quase naturalmente ele passa a prestar mais atenção nas aulas, para conseguir responder às perguntas em casa", explica Elaine, que testemunhou a melhora do desempenho escolar de seus alunos ao propor um trabalho de resgate da história da família com a ajuda dos pais. Pelo projeto "Objetos e Costumes de Nossos Antepassados", ela levou o Prêmio Educadora Nota 10 da Editora Abril.

Aproveitar as deixas do dia a dia
     A História permeia todo o presente, mesmo que não percebamos: nossas vidas estão perpassadas pelas escolhas de pessoas que viveram antes de nós, basta prestar atenção. Nas placas de ruas, nomes de escolas, praças e parques muitas vezes vivem personagens históricos da cidade ou do país. Que tal pesquisar junto com seu filho quem foi a pessoa que nomeia a rua onde moram ou por onde passeiam?

"Descobrir o que ela fez, em que período viveu e o que acontecia nessa época, pode ajudar a criança a se interessar pelo passado, e consequentemente pela História", afirma a professora Elaine Rodrigues de Paula, nomeada Educadora Nota 10 pelo Prêmio Victor Civita da Editora Abril.

Além disso, procure se informar, assistindo ao telejornal, por exemplo. "Se a pessoa se interessa pelas questões cotidianas o apelo da História é inevitável. Não há como tratar a desigualdade social brasileira sem pensar na escravidão, só para citar um exemplo", comenta o professor de História Marcus Vinícius Leite, de Belo Horizonte, Minas Gerais, que venceu em primeiro lugar o Prêmio Microsoft Educadores Inovadores, com o projeto Rádio História.

Seus alunos tiveram que pesquisar e gravar noticiários de rádio como se estivessem acompanhando os fatos históricos, como a Queda do Muro de Berlim. "Muitos passaram a entender que o processo histórico é mais complexo e em muitos momentos bem mais interessante do que geralmente trabalhamos em sala de aula", finaliza o professor.

Texto Iana Chan

 

 

 

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História


Como eram os professores antigamente

Faça uma viagem no tempo e veja como era o trabalho dos professores na Grécia, em Roma e no Egito antigo

Seus professores estão sempre ensinando coisas novas, sugerindo que você leia, pesquise na internet e muitas vezes até levam a turma para passeios divertidos e educativos. Mas nem sempre foi exatamente assim. Faça uma viagem no tempo e confira como era o trabalho deles no passado:

Egito antigo: ensino para poucos

Só com muita sorte você poderia estudar. É que apenas os filhos dos faraós, dos nobres e dos militares tinham direito à educação. As escolas funcionavam nos templos e os professores ensinavam principalmente a arte da palavra, ou seja, como falar em público, o que parecia mais importante para as pessoas que seriam governantes. Davam também dicas para a realização de tarefas práticas, ensinando, por exemplo, a calcular a quantidade de tijolos para construir uma casa. Os alunos não aprendiam a escrever e tudo tinha de ser guardado na memória. Os desatentos levavam castigo.

Grécia antiga: preparação completa

Vários professores ensinariam um pouco de tudo para você na Grécia antiga. As aulas de leitura e escrita aconteciam em tendas ou praças e todos tinham de decorar e declamar poemas e saber de cor as fábulas de Esopo. Já o professor de música mostrava como os alunos deviam cantar e tocar instrumentos como a lira, a flauta e a cítara. Você poderia ter ainda professores filósofos, que ensinavam os alunos a observar o mundo e a pensar sobre ele. Já imaginou como seria legal estudar com os grandes pensadores gregos Sócrates, Platão ou Aristóteles? Por fim, ninguém era considerado bem formado sem um instrutor físico. Ele orientava os exercícios e competições de corrida, salto, arremesso de disco e lançamento de dardo. O chato é que tudo isso valia apenas para os garotos. As meninas ficavam em casa, onde aprendiam os trabalhos domésticos.

Roma antiga: aulas em casa

Geralmente quem fazia o papel de professor nos lares dos antigos romanos era o pai de cada família. Ele se encarregava de ensinar os filhos a ler, a escrever e a contar. Ensinava também a lutar, a nadar e a andar a cavalo. As garotas romanas ficavam com as mães aprendendo os trabalhos domésticos. Os primeiros professores profissionais de Roma surgiram no período da República. Eram pessoas que recebiam salários baixos e ensinavam as crianças a ler, a escrever e a contar. Os alunos aprendiam latim e grego e usavam como caderno umas tabuinhas de cera onde escreviam com uma lâmina pontuda.

China antiga: exercícios e meditação

Entre os antigos chineses, os professores eram sacerdotes sérios e compenetrados que procuravam transmitir para os alunos a sabedoria de livros bem antigos. Muitas vezes os alunos passavam por provas bastante difíceis como ficar sem falar, sem comer e até sem dormir, pois se acreditava que assim estariam preparando seu corpo e sua mente para compreender os mistérios do Universo. Confúcio foi um dos mais famosos e sábios mestres da China e costumava sair com seus discípulos por estradas, campos e montanhas ensinando astrologia, leis, economia, filosofia e até exercícios de artes marciais.

Brasil no descobrimento: professores jesuítas

Os primeiros professores do Brasil foram os padres jesuítas. Eles vieram de Portugal em 1549 e, 15 dias depois de sua chegada, fundaram uma escola na Bahia para ensinar os filhos dos colonos a ler e a escrever. Também catequizavam os índios e para isso tiveram de aprender o tupi, que era a língua mais falada pelos nativos. Faziam de tudo para atrair a atenção dos curumins, desde encenar peças teatrais até recitais de música e poesia. Durante as aulas, ninguém podia piscar. Era proibido dar opinião ou discordar do que era ensinado. Todos os dias, os alunos tinham de repetir a matéria durante uma hora para que ela ficasse bem gravada. E os gritos e as correrias na hora do recreio eram proibidos.

Texto Cláudio Fragata

Educar para Crescer

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