Igualdade Racial

6 ferramentas para valorizar a diversidade racial na escola e em casa

A seguir, veja seis ferramentas que a escola – e você – devem utilizar para fazer de seu filho um cidadão sem preconceitos, que respeita e valoriza as diferenças culturais e raciais do nosso país.

1.Prestar atenção se há preconceito em casa
     Para a diretora do Centro de Educação Infantil Onadyr Marcondes, Luci Aparecida Guidio Godinho, a mídia e as fábricas de brinquedos infantis reproduzem padrões de beleza que depois são captados pelas crianças. Para os pais e os professores, vale prestar atenção nos tipos de bonecas que as meninas escolhem para brincar, já que o preconceito pode começar a se manifestar nesses momentos. "Grande parte do preconceito está na nossa própria cultura, que é uma cultura europeia. A gente não tem referencial africano. Para combater o preconceito, temos que assumir que somos preconceituosos, embora as pessoas neguem isso", aponta Luci.

Também é recomendável prestar atenção em atitudes específicas dos pequenos. Se uma criança negra ou indígena fala "quando eu crescer, eu quero ser branca", "meu cabelo é feio" ou se qualquer criança diz: "eu não quero essa bonequinha, porque ela é o negra e feia", o professor precisa pensar como esses alunos tão pequenos já trazem falas marcadas de racismo e preconceito e como é possível trabalhá-lo em sala. Quanto ao pais, mais do que entrar em desespero com um possível preconceito manifestado pelos filhos, devem se lembrar de que a escola é aliada da família e deve levar para a sala de aula explicações que respondam aos questionamentos e ideias manifestados pelos pequenos.

2. Saber que a escola está aberta para ensinar ao seu filho e a você, se preciso
     A diretora Luci Aparecida Guidio Godinho conta que já presenciou uma mãe falando "cruz credo" na porta de sua escola, ao ver uma das alunas vestidas com roupas e usando penteado afro por incentivo dos próprios professores. "Essa mãe tem que ter a oportunidade de acesso e a escola está aí para educar, ensinar e aprender. Então se não trouxermos esses pais para esse projeto, eles não vão entender a diversidade", avalia.

Os pais podem frequentar os Conselhos Escolares para propor a abordagem do tema ou para saber se a questão já é tratada na escola. Se for, será possível aprender com o relato dos professores sobre as atividades realizadas e, assim, complementar a educação do seu filho em casa sobre o assunto.

3. Saber o que a escola deve fazer para uma boa abordagem do assunto
     Uma boa prática pedagógica lida com duas situações: valoriza a diversidade e a cultura e, ao mesmo tempo, combate a discriminação, a desigualdade e a exclusão. Essa é a opinião de Cida Bento, gundadora do CEERT, psicóloga e selecionadora do prêmio. Ela ainda destaca outras características de boas iniciativas, como envolver todos os alunos, brancos e negros, nas atividades desenvolvidas na escola. "Se vai fazer trancinha, a criança branca tem que se envolver também, de forma que ambos os grupos se beneficiem", indica Cida.

Experiências eficientes também precisam conversar com a comunidade, registrar o que foi desenvolvido e utilizar a estrutura da escola para os trabalhos. Em muitos dos trabalhos premiados na sexta edição do "Educar para a Igualdade Racial", os pais participaram: ajudaram trazer as atividades das escolas para as ruas e fizeram parte das reuniões e das festas relacionadas à diversidade. "Como resultado, escutamos relatos de que comunidades negras, antes afastadas da escola,se aproximaram, percebendo que a escola dos filhos também valoriza a sua cultura e origem", conta Cida.

4. Checar como o professor do seu filho está preparado para educar contra o preconceito
     "Muitas vezes, quando perguntei aos meus professores o que eles conheciam de África, escutei respostas como 'Aids', 'girafa', 'elefante', 'pobreza' e 'Copa do Mundo'. Os professores sabem pouca coisa da contribuição africana, porque não viram em sua trajetória profissional contos africanos. E aí como que a criança, que também nunca vê isso, vai se reconhecer nas figuras negras, nos heróis e nas princesas?", questiona a diretora Luci Aparecida Guidio Godinho, que trabalha a formação dos seus professores sobre o tema.

Para além de iniciativas pontuais das escolas, vale saber que o Ministério da Educação (MEC), por meio da Rede Nacional de Formação de Professores (Renafor), oferece formação em educação para as relações étnico-raciais, história da África, cultura africana e afro-brasileira para docentes de todo o Brasil. No último ano, mas de 50 mil professores demandaram do MEC formação nessa área. "Pra gente, isso é bastante positivo. Significa que a temática está presente nas escolas e que os professores sentem a necessidade de maior formação para tratar do tema", diz Macaé Maria Evaristo, diretora de políticas de educação no campo da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC.

5. Em 2013, lembrar que as escolas terão mais materiais para boas práticas sobre o tema
     Além da formação dos professores, o MEC tem investido na aquisição e produção de materiais didáticos. Em 2012, o edital do Programa Nacional de Bibliotecas nas Escolas (PNBE) temático contemplou temas como diversidade e inclusão. Com o resultado do edital, as escolas do Brasil irão receber uma coletânea de livros sobre a história da África e da cultura afro-brasileira no segundo semestre de 2013.

Bibliotecas de escolas dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio terão o material e caberá também aos pais incentivar a leitura desses conteúdos. Os livros também abordarão áreas como cultura indígena, quilombola, do campo, questões étnico-raciais, exclusão, discriminação e juventude. A iniciativa é da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

6. Saber que, em 2013, foram completados 10 anos da criação da lei que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas
     Em 2013, foram completados 10 anos da criação da lei 10.639, que obriga que o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira esteja previsto nos currículos escolares. Mesmo após uma década, as escolas brasileiras ainda têm muito a fazer. Para Dilma de Melo Silva, professora de Cultura Brasileira na USP e membro do Núcleo de Apoio a Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (NEIMB), o Prêmio Educar para Igualdade Racial ajuda nesse processo. "A premiação atinge o ambiente escolar e com certeza a família terá conhecimento do assunto como algo favorável para a formação de uma cidadania plena nas crianças", afirma.

Também presente na premiação, Luiza Helena de Bairros, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), concorda com a importância do prêmio para dar visibilidade a projetos que cumprem a lei 10.639, mas chama a tenção para a responsabilidade de órgãos político-administrativos, como secretarias e diretorias de ensino. "A lei ainda precisa de efetivação em muitos níveis e, para isso, deve ser aproveitado tudo o que os professores e professoras passaram a fazer no Brasil a partir de suas próprias condições, principalmente a partir de seus compromissos com a educação brasileira", afirma.

Texto Mariana Queen Nwabasili 

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/valorizar-diversidade-racial-730373.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar

 

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