Infância

Como ajudar seu filho a lidar com o ciúme. Diálogo e afeto são os melhores caminhos para ensinar as crianças a entender e superar seus ciúmes. Veja as dicas dos especialistas.

ssim como os adultos, as crianças também passam por aqueles momentos em que se sentem excluídas, menos amadas, menos bonitas. O motivo? Geralmente, é o ciúme. "Por que você deu o pedaço maior do bolo para ele?". "Por que você vai brincar com outro amigo e não comigo?". "Por que o outro está recebendo elogios e não eu?". Esses são alguns dos questionamentos que os pequenos fazem quando estão com ciúmes.

Nessas horas, a melhor atitude que os pais podem tomar é a do carinho e da conversa. "O ciúme é um sentimento provocado pela insegurança e pelo desejo de posse. A criança tem medo de perder o que conquistou. Para lidar com essa questão o diálogo dever ser sempre direcionado para que a criança entenda que nada será tirado dela", explica Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

1. O que é o ciúme?

O ciúme é, muitas vezes, o medo de ser preterido, de ser deixado em segundo plano. "É o medo de que a pessoa que amo me troque por outro que vale mais do que eu. Afinal, ‘eu valho menos, valho pouco’, pensa o ciumento. O ciúme é inveja. Se invejamos algo ou alguém é porque sentimos que não possuímos aquilo que é invejado", explica Aurélio Melo, professor de desenvolvimento humano do curso de psicologia da Universidade Mackenzie, de São Paulo.
 

2. Por que as crianças sentem ciúmes quando outros ganham atenção ou elogios?

As crianças e muitas vezes até mesmo os adultos têm tendência a ‘polarizar’ ideias. Isso quer dizer que se ela ouve a mãe dizer que o irmão é bonito, tende a acreditar que ela é feia. Não aceita a ideia de que os dois podem ser bonitos. "Não só as crianças polarizam ideias, todos nós temos essa tendência. Somos seres frágeis que precisamos aprender a vida toda a desenvolver nossa autoestima e nossa autoconfiança", diz Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

3. Como ajudar as crianças a entender e lidar com seus ciúmes?

O ciúme é um sentimento comum, mas é preciso ensinar as crianças a lidar com ele. "Podemos auxiliar nossas crianças a lidarem com essa questão de uma forma saudável, fazendo com que ela saiba, no dia-a-dia, o quanto é admirada e querida", diz Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). De que maneira fazer isso? Não só com palavras, mas com atitudes que demonstrem o carinho e o respeito pela criança.

Também é preciso agir com naturalidade quando as crianças mostram ciúmes. "Ou seja, não se devem reprimir as manifestações de ciúmes, mas acolher a demanda emocional, dando um colinho, por exemplo. Mas é preciso dar limites também", diz a psicóloga Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP). Depois de dar atenção e reassegurar à criança que seu lugar está garantido, os pais não podem se deixar aprisionar pelos desejos da criança. "É importante mostrar que o casal tem uma unidade, e que a criança é amada pelos dois. Mas ela deverá aceitar que não poderá compartilhar tudo com eles", explica Elisa.

4. Como ajudar os filhos a lidar com o ciúme dos irmãos?

É importante demonstrar que, assim como há momentos em que os pais cuidarão dela, haverá outros em que cuidarão dos irmãos. E haverá aqueles em que os dois receberão cuidados e atenção dos pais ao mesmo tempo. O importante é esclarecer que o amor que os pais têm pelos filhos não significa dar atenção exclusiva a eles. "Com um limite firme, mas amoroso, os pais transmitem à criança a confiança de que ela é capaz de suportar a frustração de não ter exclusividade. Isso será fundamental para o amadurecimento e as relações de respeito e generosidade na vida social", diz a psicóloga Elisa Villela.

5. No caso dos pais separados, como ajudar o filho a superar o ciúme de um novo namorado(a) da mãe ou do pai?

A solução mais uma vez é agir com naturalidade. "Acolha a criança sem mimá-la. Separações e novos relacionamentos após separações são fatos cada vez mais corriqueiros. Lidar com naturalidade com isso fará com que a criança também aja dessa forma", afirma Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Lembre-se: as crianças aprendem muito por imitação e espelham nossas atitudes.

6. Qual a relação entre o ciúme e a possessão? Como ensinar os filhos a não serem possessivos e a compartilhar?

O ciúme e a possessão andam juntos. "Da mesma forma, o ciúme anda junto com a baixa autoestima e a insegurança. O sentimento de posse faz parte do comportamento egoísta do ser humano: ‘tudo é meu!’. Ensinar a compartilhar e a dividir faz parte da vida, assim como ensinar a humildade, a compaixão, a espera, o desapego etc", orienta Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Ela também sugere uma reflexão: "Se a criança aprende pela observação e imitação será que estamos dando bons exemplos para que elas aprendam a não ser ciumentas e a compartilhar?".

Texto Adriana Carvalho

 

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Infância

Como lidar com o autoritarismo das crianças.

Veja as dicas dos especialistas para evitar que seu filho se torne um mandão.

Eles mandam em tudo e em todos. Querem ser atendidos imediatamente e não suportam esperar um segundo. Não aceitam regras e desrespeitam o direito dos outros. Esses são comportamentos típicos das crianças autoritárias. "O autoritarismo da criança muitas vezes decorre de pais que não conseguem dar limites aos filhos", explica Aurélio Melo, professor de desenvolvimento humano do curso de psicologia da Universidade Mackenzie.

De acordo com o especialista, essa dificuldade em impor os limites aos filhos pode estar relacionada ao sentimento de culpa dos pais, que temem não ser amados pelos filhos se os contrariarem. "Em outros casos, são comportamentos incentivados por pais que acreditam que seus filhos devem se sobrepor aos demais e se tornarem mais competitivos", diz Aurélio. Veja aqui as dicas para ajudar seu filho a lidar com as atitudes autoritárias.

1. O que se deve fazer quando a criança se mostra autoritária?

Conforme se desenvolvem, é natural que as crianças comecem a explorar e a testar os adultos para ver até onde podem ir com suas atitudes e comportamentos. Cabe aos adultos estabelecer os limites e as regras que devem ser seguidos pelas crianças e cobrar constantemente o seu cumprimento. É importante ainda mostrar às crianças que cada um tem direitos e também deveres. E ensinar que elas não são o centro das atenções. A criança interrompe a conversa dos adultos para pedir alguma coisa? Ensine-a que deve esperar sua vez de falar. O filho ordena que alguém lhe sirva um pouco mais de sobremesa? Diga que deve pedir com gentileza e educação e agradecer após ter seu pedido atendido.

2. Como os pais devem exercer sua autoridade sobre os filhos?

No exercício da autoridade, é preciso equilíbrio. Como afirmava o historiador italiano Cesare Cantú: "a autoridade que não é equilibrada, é tirania". Pais que não impõem limites podem criar filhos mandões e autoritários. "Por outro lado, pais excessivamente repressores podem gerar filhos obedientes, mas incapazes de desenvolver uma ética madura, ou seja, as crianças obedecem por medo e não pelo respeito. A autoridade saudável é aquela exercida com constância, impondo limites e ao mesmo tempo dando segurança às crianças", orienta a psicóloga clínica Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP).

3. E quando os pais discordam entre si sobre como agir com o filho? Como proceder?

Quando discordarem, os pais devem discutir o assunto longe da presença dos filhos. O importante é que um não desautorize o outro na frente da criança. "Aquele que é desautorizado perde poder e fica se repetindo", afirma Aurélio Melo, professor de desenvolvimento humano do curso de psicologia da Universidade Mackenzie. Vale também lembrar que os pais não nasceram pais e estão eles próprios em um processo de aprendizagem. "Educar é um processo de aprendizagem dos próprios pais no decorrer do crescimento dos filhos. Um deve ouvir o outro e repensar suas atitudes. Educar não deve ser encarado como uma disputa entre os pais de quem é melhor ou mais justo ou correto. Para os filhos é muito importante sentir a unidade do casal", explica Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP).

4. Crianças autoritárias podem se tornar agressivas?

Sim. Crianças que não são ensinadas a saber esperar e que não aprendem a obedecer regras e limites são também crianças mais sensíveis às frustrações. E, quando frustradas, podem reagir negativamente, muitas vezes de forma agressiva, fazendo escândalos ou tendo ataques de birra. "Quando a criança tem baixa tolerância à frustração tende a reagir agressivamente de forma a tentar controlar o ambiente, ou seja, a punir a pessoa ou o objeto que, a seu ver, está lhe fazendo sofrer", afirma a psicóloga clínica Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP). Por isso é importante que os pais não aceitem as manifestações de agressividade dos filhos, caso contrário mostrarão a elas que podem conseguir o que querem pela força ou pelo grito.

5. Como ajudar a criança a lidar com amigos ou colegas de escola que são autoritários?

É importante manter sempre um canal de diálogo aberto com seu filho e conversar sobre como ele se sente conforme as situações vão se apresentando. "Em situações em que o filho se comporta de forma submissa diante de um amigo mandão, os pais devem ajudar a criança a se defender e a colocar limites ao comportamento do amigo autoritário, sem necessariamente romper a amizade. O reconhecimento dos pais do direito da criança a colocar limites a deixará mais segura e menos ameaçada de perder o amigo", diz a psicóloga clínica Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP).

6. Qual a diferença entre as crianças que têm comportamento autoritário e aquelas que mostram comportamento de liderança?

O líder suporta as diferenças e aceita as contribuições dos outros, em brincadeiras ou nos jogos, conforme explica a psicóloga clínica Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP). "Já o autoritário não pode ser questionado ou desafiado, pois no fundo teme que sua fragilidade apareça. Para se defender usa da agressividade", diz Elisa.

Texto Adriana Carvalho – Educar para Crescer

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Como lidar com a agressividade de seu filho. Para evitar que as crianças se tornem agressivas, os pais devem dar o bom exemplo e estabelecer os limites

Texto Adriana Carvalho

Falta de limites, maus exemplos dados pelos adultos, situações de estresse: são muitos os motivos que podem levar uma criança a ter comportamentos agressivos. Brigas, chutes, socos e xingamentos algumas vezes são uma forma de a criança expressar suas angústias e seus medos. Em outras ocasiões, são um reflexo da falta de orientação e firmeza dos pais na aplicação de regras e combinados.

Podem ser ainda um comportamento de imitação do modelo dado pelos adultos, quando estes também são agressivos em suas relações com outras pessoas e diante de situações que os desagradam.
É importante que os pais identifiquem quais as causas das manifestações de agressividade das crianças e procurem ajudá-la a compreender que há maneiras melhores de resolver seus problemas ou de expressar seu desagrado diante de uma decepção. Veja as dicas dos especialistas.

1. Por que as crianças têm atitudes agressivas?

Pode não parecer, mas a agressividade é uma linguagem, uma forma de expressar sentimentos e desejos. "Não é a maneira mais correta, mas talvez seja a única forma que o filho aprendeu a usar nos momentos de angústia, ansiedade e principalmente de frustração, diz Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

2. Como agir quando a criança se torna agressiva quando é contrariada ou ouve um não?

Os pais não devem atender aos desejos dos filhos quando eles tomam atitudes agressivas, porque isso só vai reforçar a ideia de que é pela força, pela agressão e pelo grito que conseguimos o que queremos. "Os pais não podem reforçar esse comportamento. No caso da birra, não se pode atender ao pedido enquanto o filho não tiver um comportamento adequado", diz Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

3. Quais as consequências de não colocar limites às atitudes agressivas dos filhos?

A criança sem limite sofre com a falta de direção e gestão dos pais e aprende que para comunicar ou conseguir o que quer, precisa apelar para a agressividade, conforme explica a psicóloga Eliana de Barros Santos, diretora pedagógica do Colégio Global. "Um exemplo: a criança quer ir ao parque, mas os pais dizem que é hora de ir ao restaurante. Então ela se joga, chora e grita para conseguir o que quer. Os pais continuam negando, mas então ela voa nos pais e os agride de forma verbal e/ou física". Ela dá outro exemplo do que pode acontecer quando os pais não tomam atitudes diante das agressões dos filhos: "A criança pode ficar acostumada a obter resultados positivos em suas investidas sobre um irmão ou sobre a babá, batendo e brigando. Como acostuma com este comportamento, ao chegar à escola ela fará o mesmo com os amigos e os professores sempre que for contrariada, tentando obter o mesmo resultado que tem em casa. Essa criança agride para conseguir seu objetivo e esse comportamento, se não for corrigido a tempo, vai provocar muito sofrimento a ela e aos que convivem com ela", explica.

4. Se os pais agem de forma agressiva, isso influencia as crianças?

As crianças aprendem, de uma forma geral, por imitação. Por isso, é preciso atenção: muitos dos comportamentos agressivos dos pais e adultos são aprendidos pelas crianças. "Criança vê, criança faz: não temos dúvida de que a criança apresenta comportamentos copiados dos seus pais ou cuidadores. Para se evitar que a criança se comporte de forma agressiva é preciso que os pais revejam o seu próprio comportamento e identifiquem situações onde costumam se comportar de forma agressiva", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos.

5. Jogos ou filmes violentos podem incentivar o comportamento violento?

Segundo Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), jogos ou filmes violentos podem, sim, influenciar o comportamento das crianças, mas não são os fatores que mais incentivam a agressividade. De acordo com ela, proibir simplesmente a criança de assistir ou jogar o que tem conteúdo violento não é a solução. "Não podemos proibir nossas crianças de terem uma participação na vida em sociedade, mas podemos participar e ensiná-los a refletir sobre o que é bom e o que não é tão bom nos filmes e jogos. O importante é haver diálogo e reflexão: incentivar a criança a se colocar no lugar ora do agredido, ora do agressor e fazê-la pensar sobre isso. Isso fará do futuro adulto uma pessoa mais responsável por si", diz.

6. Que outras situações podem despertar o comportamento agressivo da criança?

A agressividade também pode estar vinculada a situações que geram estresse na criança tais como luto, separação dos pais, chegada dos irmãos mais novos. "Para lidar com a situação de forma tranquila é necessário tomar consciência do problema e acolher a criança em seus sentimentos de receio, medo, angústia. Para isto é preciso olhar para ela com cuidado e atenção, buscando ver além do gesto que a criança está utilizando para se fazer entender. Boas horas de intimidade e aconchego verdadeiro são os melhores remédios", afirma a psicóloga Eliana de Barros Santos.

7. A agressividade pode ser também uma tentativa de chamar a atenção dos pais?

Sim, essa também pode ser uma das possíveis causas das atitudes agressivas. "Podemos imaginar que os filhos têm um potinho que precisa ser cheio com carinho e atenção dos pais diariamente. Quando esse potinho estiver vazio, ela vai ficar triste e buscar outra forma de obter a atenção dos pais", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos. Ela sugere que ao encontrar a criança, depois de um período separado, seja pelo trabalho ou por uma simples noite de sono, os pais se preocupem em encher o potinho com atenção verdadeira. "Você verá que a criança, satisfeita em sua necessidade, estará tranquila e somente voltará a requisitar sua atenção muito tempo depois, quando sentir seu potinho vazio. Em sua fome de atenção, ela precisa ser bem alimentada para se desenvolver saudável e tranquila. Lembrando sempre do potinho e cuidando dele, você vai perceber que agressividade, palavrão, birra, serão assuntos pouco lembrados em sua família", diz a psicóloga.

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/como-lidar-agressividade-seu-filho-742752.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=comp&

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