Literatura

Você sabia?

A saudosa escritora Tatiana Belinky, uma das mais importantes da literatura infanto-juvenil brasileiro, foi responsável pela adaptação do Sítio do Picapau Amarelo para a extinta TV Tupi, na década de 1950!

Descubra qual personagem de Monteiro Lobato você é: 

Comments are closed.

Literatura

Cinco livros indispensáveis de Mia Couto. Quatro deles para você, outro para ler com seu filho: todos do principal escritor africano da atualidade.

Ele nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955, e hoje é considerado um dos principais escritores africanos, comparado a Gabriel Garcia Márquez, Guimarães Rosa e Jorge Amado. Filho de imigrantes portugueses, começou a carreira como jornalista e é formado também é biologia. Em suas obras, tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana.

Conheça cinco livros essenciais de Mia Couto – quatro para adultos e um para crianças (e para adultos também, por que não?).

1 – Terra Sonâmbula (2007)

Um ônibus incendiado em uma estrada serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil que atinge Moçambique. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala com os "cadernos de Kindzu", o diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. É considerado um dos melhores livros africanos do século XX.
 

2 – Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003)

O retorno de Marianinho a Luar-do-Chão não é exatamente uma volta às suas origens. Ao chegar à ilha natal, incumbido de comandar as cerimônias fúnebres do avô Mariano – de quem recebeu o mesmo nome e de quem era o neto favorito -, ele se descobre um estranho tanto entre os de sua família quanto entre os de sua raça, pois na cidade adquiriu hábitos de um branco. Aos poucos, Marianinho percebe que voltou à ilha para um renascimento. Luar-do-Chão encontra-se num estado de abandono, decadência e miséria. Trata-se também de um impasse cultural, religioso e político, que guarda correspondência com a situação social da África de hoje. O livro virou um filme de mesmo nome dirigido pelo cineasta português José Carlos Oliveira.

3 – E se Obama fosse africano? (2011)

É o livro mais recente de Mia Couto. Reúne o que ele chama de "interinvenções", transcrições de palestras proferidas pelo autor em eventos na África, na Europa e no Brasil. Nelas, o autor aborda de modo corajoso e criativo os principais impasses da África contemporânea. Temas como a corrupção, o autoritarismo, a ignorância, os ódios raciais e religiosos, mas também a riqueza da tradição oral e das culturas locais, o vigor artístico, as relações complexas entre o português e as línguas nativas, a influência de Jorge Amado e Guimarães Rosa sobre a literatura luso-africana são abordados na obra.

4 – Venenos de deus remédios do diabo (2008)

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português. A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor "Sidonho", bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade.
 

5 – O gato e o escuro (2008) – infantil

Pintalgato vive sendo alertado pela mãe para que não ultrapasse a fronteira do dia. Mas ele, louco para descobrir o que se esconde sob a sombra da noite, decide se aventurar e acaba tendo um encontro inusitado com o escuro. Quando volta para a luz do dia, descobre que seu pêlo, antes amarelo com pintinhas, está preto como a noite, e fica apavorado. Com ajuda da mãe, porém, consegue perceber que o medo do escuro, na verdade, é o medo das "ideias escuras que temos sobre o escuro". Com uma prosa envolvente e cheia de pequenas surpresas poéticas, este livro infantil fala das aflições e do encantamento com o desconhecido.

Texto Marina Azaredo

Previous

Next

Comments are closed.

Literatura

Fábrica de poesia.
Siga o passo a passo destas ferramentas interativas e crie (e compartilhe) suas produções poéticas.

Previous

Comments are closed.

Literatura

Para quem está na dúvida sobre o que ler este mês, aí vai a nossa dica.

Orgulho e Preconceito – Considerado uma das obras-primas da literatura inglesa, este romance é um retrato minucioso e crítico da sociedade britânica e seus costumes no século XIX.
Texto Redação Bravo!

Nada indicava que Jane Austen (1775-1817), filha de um pastor anglicano de província, se tornaria uma das escritoras mais lidas da Inglaterra. Mas o fato é que a observação do ambiente rural serviu de esteio às suas comédias de costumes, em que a descrição social e humana se iguala à dos grandes mestres.

A primeira versão da obra se chamou First Impressions a partir do ditado que diz "first impressions are half of the battle" (as primeiras impressões perfazem metade da conquista). Trata-se de uma ironia. Ao longo da narrativa, a heroína Elizabeth Bennet acaba por rever sua antipatia inicial pelo bem-nascido e egocêntrico Darcy, que a ridicularizara num baile – ocasião em que a família da moça pretendia encontrar pretendentes para as filhas solteiras. Vários mal-entendidos e histórias paralelas costuram as mudanças de humor de Elizabeth e de Darcy. Os acontecimentos, contudo, têm interesse relativo. A importância da obra reside no estudo minucioso dos personagens na crítica social. De maneira sutil, Jane Austen mostra os danos causados às mulheres inseridas em uma cultura criada por homens e para os homens.

O romancista Walter Scott (1771-1832) escreveu, na ocasião em que relia pela terceira vez o romance, que o talento da autora para a descrição das "ocorrências, sentimentos e personagens da vida comum" era o mais extraordinário que encontrara. Jane Austen morreu quase ignorada aos 43 anos, depois de ter publicado anonimamente algumas das obras-primas da literatura inglesa, entre elas Razão e Sensibilidade (1811) e Mansfield Park (1814).

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/orgulho-preconceito-644073.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=leitura

Previous

Next

Comments are closed.

Literatura

O que você conhece da poesia brasileira?

Confira essa seleção de livros imperdíveis e entenda mais sobre a história da poesia no Brasil:

Comments are closed.

Literatura

O que é literatura de viagem?

A partir de relatos dos viajantes, o leitor pode se inspirar, aprender e até planejar sua própria viagem.

Quando vai viajar, como você monta o seu roteiro de viagem? Hoje em dia é fácil planejar uma viagem com a ajuda da internet e dos guias de viagem, mas houve um período em que as coisas não eram bem assim. Poucas pessoas se aventuravam a encarar meses num trajeto cujo fim ninguém sabia. As informações do destino eram remotas, conhecer terras distantes era sinônimo de desbravar novos horizontes.

Foi nessa época que surgiu a literatura de viagem – travel writing, em inglês -, bem diferente dos guias de viagem que existem hoje. A literatura de viagem segue uma direção diferente dos guias: seduzir a imaginação do leitor com um texto envolvente, indo além de das anotações de um diário de bordo ou de uma descrição pura e simples. Também é diferente da literatura que se passa em uma determinada cidade ou país, como os livros que estão no nosso especial "Volta ao em mundo em (+ de) 80 livros", pois é escrita por um "turista".

A literatura de viagem é geralmente uma memória das experiências de uma pessoa visitando um lugar que não é o lugar que ela vive. Saiba mais nos tópicos abaixo:

Os primeiros registros
     Narrativas como Odisseia de Homero datadas da Antiguidade Clássica ou Viagens de Marco Polo em plena Idade Média trazem consigo o olhar de jornadas que despertam a curiosidade de quem acompanha as aventuras por eles contadas. Uma perspectiva um pouco mais factual – mas não menos criativa – são as cartas de Pero Vaz de Caminha e Américo Vespúcio e a descoberta das Américas.

As primeiras viagens inercontinentais
     A Renascença, também conhecida como Era dos Descobrimentos, criou um cenário favorável para a Europa em meio às artes e às ciências em pleno século XVI. O texto fundamental da chamada travel writing é de Richard Hackluyt (1552-1616) – Voyages (1589), em que relata as descobertas da Inglaterra em momento de expansão marítima.

As viagens científicas
     Com o passar dos séculos, o gênero literário cria novos adeptos. Os impérios se expandem (principalmente Inglaterra e França) e chegamos ao século XIX com viajantes que aliam a literatura à ciência, incluindo o estudo de novas paisagens com a fauna e a flora consideradas "exóticas", revelando nas entrelinhas o pensamento eurocêntrico dominante.

A literatura de viagem no século XX
     A vivência antropológica apoiada na cartografia e no espírito investigativo dos autores desenvolveu-se com o passar dos anos, e no século XX a literatura de viagem encontra seu apogeu nas décadas de 70 e 80 sobrepujando o romance, uma vez que se utilizava de personagens e de um ritmo da narrativa, no entanto com base em fatos reais. Desde então, a literatura de viagem delimita seu espaço dentro dos gêneros textuais atraindo um público de perfis variados, despertando o interesse na leitura de relatos de terras longínquas.

Texto Adriana Buarque

 

Comments are closed.

Literatura

Qual personagem de Monteiro Lobato é você?
Com a ajuda do pesquisador Vladimir Sacchetta, descubra qual personagem mais lembra você…

 

Comments are closed.

LITERATURA

8 quadrinhos que viraram filmes

As adaptações para o cinema podem transformar espectadores em leitores. Saiba mais e confira uma lista com sugestões de oito longas metragens

Muitas histórias em quadrinhos já foram transformadas em filmes para o cinema, geralmente provocando polêmica entre os fãs mais radicais, que se ressentem quando acham que seus heróis não foram fielmente retratados na telona.

Adaptações são uma prática cultural e, seja dos quadrinhos para o cinema ou dos livros para os quadrinhos, nem sempre é possível manter todos os detalhes durante a mudança de linguagem. Isso não significa que uma obra adaptada não possa ser fiel às ideias do autor ou ter a mesma qualidade da original. Depende do talento dos profissionais envolvidos com o projeto.

O fato é: boas versões podem despertar o interesse do grande público para a produção original e, quem sabe, até transformar expectadores em leitores.

Confira alguns filmes considerados adaptações competentes. A maioria é dirigido ao público adolescente, para quem se destina também a maior parte da produção de HQs.

As Aventuras de Tintim

O personagem criado pelo belga Hergé em 1929 vira sucesso de Steven Spielberg

Tintim, um jovem repórter com um talento especial para resolver mistérios e se meter em confusões, já conquistou admiradores no mundo todo. Agora, com o lançamento da animação As Aventuras de Tintim, seu fã-clube deve aumentar ainda mais.

O filme foi dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg e faturou o Globo de Ouro de melhor animação. O curioso é que Spielberg não lia Tintim quando era criança. Ele só se tornou um leitor apaixonado quando, logo depois do lançamento de Os caçadores da Arca Perdida, um crítico francês lhe disse que Indiana Jones lembrava o herói belga.

A animação, feita em 3D usando a técnica de captura de movimento, preservou bem o visual dos personagens e o estilo gráfico de Hergé. O roteiro foi adaptado de três livros escritos entre 1941 e 1944 (O Caranguejo das Pinças de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível) e, mesmo que alguns fãs mais fanáticos reclamem, está muito bem adaptado.

Na aventura, Tintim compra um antigo modelo de um galeão sem saber que dentro dele está escondida parte de uma pista que leva a um tesouro perdido. A partir de então, o herói passa a ser alvo do misterioso Ivan Sakharine e acaba preso dentro de um navio cargueiro. Enquanto tenta escapar, Tintim conhece Haddock, um capitão beberão e reclamão, que se torna um campanheiro inseparável em muitas outras aventuras. Juntos, eles tentam impedir o vilão de se apossar do tesouro.

Tintim foi criado pelo belga Hergé e publicado pela primeira vez em 1929. Suas histórias já foram traduzidas em mais de 80 idiomas.

Ficha
Título original: The Adventures of Tintin
Ano: 2011
Duração: 107 minutos
Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Jamie Bell, Daniel Craig, Simon Pegg, Andy Serkis, Nick Frost
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos

Homem-Aranha

O Spiderman já teve várias versões para o cinema. A nova estreará em julho

Lançado em 2002, o Homem-Aranha vivido pelo ator Tobey Maguire agradou aos fãs (nem todos, porque a unanimidade é difícil) e ao público em geral. É uma das grandes bilheterias do cinema e rendeu mais dois filmes, Homem-Aranha 2 (2004) e Homem-Aranha 3 (2007). O primeiro longa apresenta a história do jovem Peter Parker, que vive com os tios desde que seus pais morreram e se transforma no Homem-Aranha, depois que é picado por uma aranha modificada geneticamente.

Na época, a obra repercutiu tão bem que chegou a estampar a capa da revista Time. Maguire também foi reconhecido por sua atuação e ganhou fama na pele do super-herói. Dirigido por Sam Raimi, os três filmes propiciaram cenas de ação empolgantes e bons momentos de entretenimento.

Um novo filme do super-herói deve estrear em julho deste ano, mas não se trata de uma continuação. A história volta ao início e começa com a vida de Peter Parker ainda no colégio. Além disso, trazem novo director (Marc Webb) e o ator Andrew Garfield como Aranha.

Ficha
Título original: Spider man
Ano: 2002
Duração: 128 minutos
Diretor: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst, James Franco
Classificação: livre

Leia reportagem completa em http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/quadrinhos-filmes-676178.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=fds

Texto Gisleine Carvalho

Comments are closed.

Literatura

Como ensinar a seu filho que ler é um prazer

Dicas para incentivar seu filho a ler todos os dias e, assim, ter amor pelos livros

Pesquisas do mundo todo mostram que a criança que lê e tem contato com a literatura desde cedo, principalmente se for com o acompanhamento dos pais, é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende melhor, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor de forma geral. "Por meio da leitura, a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores", diz Márcia Tim, professora de literatura do Colégio Augusto Laranja, de São Paulo (SP).

A leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita. A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e ajuda em todas as disciplinas, já que o principal suporte para o aprendizado na escola é o livro didático. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras.

Quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida. Isso quer dizer que o contato com os livros pode mudar o futuro dos seus filhos. Parece exagero? Nos Estados Unidos, por exemplo, a Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation) garante que, para a criança de 0 a 5 anos, cada ano ouvindo historinhas e folheando livros equivale a 50 mil dólares a mais na sua futura renda.

Então, o que está esperando? Clique no link abaixo e veja nossas recomendações e estimule seu filho a embarcar na aventura que só o bom leitor conhece. Você pode encontrar boas dicas de livros em nossa biblioteca básica de leitura!

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/importancia-leitura-521213.shtml#&t=A%20import%E2ncia%20da%20leitura%20-%20Educar%20para%20Crescer&ref=http%3A//educarparacrescer.abril.com.br/institucional/busca/busca.shtml%3Fqu%3Dler+prazer%26x%3D0%26y%3D0?utm_source=redesabril_educrescer&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educrescer

 

Comments are closed.

Literatura

No dia 21 de junho comemorou o 173º aniversário de nascimento de um dos maiores escritores brasileiros, se não o maior: Machado de Assis!

Ele tem dois livros na lista das 100 melhores obras nacionais, Conheça um deles:

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Com uma obra sobre um "Autor que é Defunto ou um Defunto que é Autor", Machado de Assis revolucionou a literatura brasileira 

O romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (de 1881), de Machado de Assis, foi o texto que inaugurou o padrão moderno nas letras nacionais. Bebendo nas águas tanto do Realismo quanto do Romantismo, com influência de prosadores ingleses e franceses do século 18, mas, sobretudo, escrevendo com grande independência e originalidade, Machado de Assis criou com este livro a ponte que uniu o passado ao futuro na nossa literatura.

A razão para esse salto qualitativo deve ser buscada nas inovações formais deste romance, o primeiro da chamada fase realista de sua obra. A história é simples, até corriqueira. Brás Cubas, legítimo representante da nossa oligarquia patriarcal, vive sua vida e morre. Na condição privilegiada de autor-defunto ou de defunto-autor, decide escrever suas memórias. Nosso herói corteja uma jovem humilde; é designado pelo pai a uma moça rica, que, porém, casa-se com outro e depois cai nos braços de Brás; torna-se deputado, mas não consegue virar ministro. Também faz amizade com um antigo companheiro de colégio, Quincas Borba, que inventa uma teoria pseudofilosófica chamada Humanitismo, arremedo das teorias cientificistas em moda na época. Brás sonha lançar no mercado um emplastro milagroso, um suposto tônico anti-hipocondríaco que lhe traria fama, mas morre antes de concretizar essa meta.

O enredo, portanto, não gera maior interesse. O que está em jogo é a maneira como a narrativa é alinhavada, num ágil ir-e-vir típico do movimento da memória, em que os fatos vêm intercalados por comentários, alusões e citações; tudo isso embalado por uma nuvem de humor melancólico. É nessa forma, incomum para a época, que precisamos buscar as chaves para a interpretação do romance. Como nas narrativas modernas, o que interessa não está exatamente na história, mas no que se encontra por baixo, no subentendido, nas camadas ocultas de significado. Os críticos atuais de Machado gostam de chamar esse exame em profundidade de "leitura a contrapelo ou ao arrepio". Ao pé da letra, significa que vamos andar pelo caminho contrário, ou seja, que devemos passar o pente de nossa apreciação no sentido oposto ao do significado literal.

E o que encontramos? Descobrimos um narrador caprichoso, de quem devemos desconfiar. Com a liberdade que lhe outorga seu estado de autor póstumo, Brás Cubas manipula os fatos num anarquismo apenas aparente: quando lemos o livro com atenção, percebemos como essa volubilidade trai seu compromisso com a classe dominante, a que se filia. Brás quer crer-se sensato em sua visão irônica e pessimista da vida. No fundo, sem querer e sem saber, deixa-nos deslumbrar sua condição de representante de uma burguesia leviana, que, desperdiçada sua existência em diversões fúteis e ambições mesquinhas, procura justificar-se diante de um hipotético leitor. Isso, é claro, não está em evidência. Uma das supremas originalidades do romance, que equipara Machado, por isso, aos grandes romancistas de sua época, reside no fato de haver um sentido escondido, que precisa ser descoberto pelo leitor no espaço que se abre entre o que descreve o narrador e o que o autor permite entrever a respeito do estado de coisas descrito.

A crítica velada, mas feroz, que Machado faz à burguesia desautoriza a crítica de muitos de seus contemporâneos (e uns poucos atuais), que atacavam a relutância do escritor em abordar mais abertamente as questões sociais, como a escravidão. O crítico sergipano Sílvio Romero chegou a chamá-lo de "capacho de todos os governos". Por outro lado, a fama de autor elegante e irônico angariou admiradores mesmo entre os que não se interessavam em ir mais fundo na interpretação de suas histórias.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em junho de 1839. Filho de família humilde, ele foi criado pela madrasta, com a morte prematura dos pais. Ela era negra, assim como seu pai, um mulato "livre". Por meio de seu talento e perseverança foi ascendendo na carreira, primeiro nos jornais, depois, em cargos públicos. Machado de Assis fundou e presidiu a Academia Brasileira de Letras. Nunca saiu do Rio de Janeiro. Morto em 1908, foi sepultado com honras civis e militares — homenagem então inédita a um homem das letras.

Um mestre do conto

A influência de Machado de Assis se estende para muito além dos romances. Machado não é somente o grande romancista da literatura brasileira, um dos maiores de seu tempo no mundo todo, mas também se revela autor dos mais bem-acabados contos escritos em língua portuguesa. Entre suas obras-primas estão Conto de Escola, O Enfermeiro, A Sereníssima República, A Cartomante, A Causa Secreta, O Espelho, Uns Braços e O Alienista, embora este último, por seu tamanho mais alongado, costume ser classificado como novela.

Em todos, evidencia-se o talento de Machado em criar situações nas quais o assunto narrado, exteriormente bastante simples, abre-se para múltiplas camadas de significado cuja repercussão é universal. Os temas abrangem a crítica ao cientificismo, o estudo da ambigüidade essencial nas relações humanas, o exame do poder esmagador das instituições e a observação da eterna e cruel dominação do homem pelo homem.

O chamado Bruxo do Cosme Velho (referência ao bairro carioca, onde ficava a residência de Machado) exerceu outras atividades literárias, com resultado artístico variável, como os poemas contidos em Crisálidas (1864) e Poesias Completas (incluindo Ocidentais, de 1901). Sobre as peças de teatro, quase todas escritas nos anos de 1860 — como O Protocolo, Quase Ministro, Os Deuses de Casaca e Lição de Botânica —, o jornalista e escritor Quintino Bocaiúva declarou: "São para serem lidas e não representadas". Outra atividade que Machado exerceu durante vários períodos de sua carreira foi a de cronista, colaborando para os periódicos Gazeta de Notícia, A Semana e Jornal do Commercio. A série intitulada Bons Dias! (que começa com estas palavras), escrita em 1888 e 1889, ou suas Balas de Estalo (entre 1883 e 1886) têm o mesmo estilo irônico da grande fase pós-Memórias Póstumas e mostra como Machado estava atento às sutilezas do cotidiano político. Embora tenha desempenhado a crítica apenas no início da carreira, Machado escreveu textos que são comentados até hoje. O Princípio da Nacionalidade e A Nova Geração, por exemplo, apontam os limites do Realismo e atacam o nacionalismo de fachada na qualificação da obra literária.

A crítica estrangeira exalta o "Bruxo"

Não é de hoje que a crítica internacional se debruça sobre a obra de Machado. Os estudos da americana Helen Caldwell, Machado de Assis e O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, este último sobre Dom Casmurro, publicados nos anos de 1960, são referência para os estudiosos. Antes dela, o historiador das letras Samuel Putnam estabelecera, já em 1948, a semelhança entre o escritor e o romancista americano Henry James. O problema é que, até mais recentemente, a língua constituíra um entrave à "descoberta" internacional de Machado. A estudiosa Caldwell mostra que, em 1960, havia apenas três traduções em inglês, em edições modestas da década anterior, de romances do autor. Conforme indica o subtítulo de uma estudiosa atual de Machado, a professora Daphne Patai, da Universidade de Massachussets, o escritor sofreu a sina de ser "um mestre escrevendo numa língua ‘menor’".

O preconceito contra o português como idioma literário começou a perder força na medida em que obras do mestre passaram a ser traduzidas, a partir dos anos de 1980. Vários estudiosos, nos Estados Unidos e na Inglaterra, como Earl Fitz, Arthur Brakel e John Gledson, também começaram a escrever obras importantes sobre o brasileiro.

Em artigo para a revista New Yorker, de maio de 1990, a autora americana Susan Sontag definiu Machado como "o maior escritor já produzido na América Latina". Em seu recente Gênio — Um Mosaico de Cem Mentes Exemplares e Criativas, o crítico Harold Bloom põe o autor definitivamente no cânone mundial. Os escritores Carlos Fuentes, Cabrera Infante, Salman Rushdie e o cineasta Woody Allen também declararam seu apreço pelo ficcionista. Segundo alguns desses admiradores, Machado rompeu com as convenções literárias de sua época, ampliando os recursos artísticos e antecipando os procedimentos modernos do século 20. Earl Fitz, por exemplo, compara-o a Tchekhov, a Proust, a Thomas Mann e a James Joyce, "artistas que combinam a representação psicológica com técnicas de corte tanto realista quanto simbolista na criação de uma nova literatura para uma nova era".
 

Comments are closed.

Literatura

Jorge Amado no Museu da Língua Portuguesa: obras e personagens.

Você sabia que Jorge Amado criou mais de 5 mil personagens em sua carreira literária? Conheça mais sobtre as obras e os personagens do maior escritor baiano de todos os tempos nesse passeio de NOVA ESCOLA pela exposição "Jorge Amado e Universal", em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. 

Comments are closed.

Literatura

Os clássicos da literatura infantil brasileira

Clique nos desenhos e tente descobrir quais títulos não podem faltar na estante do seu filho.

Previous

Comments are closed.

Literatura

Seu sonho era usar chapéu pontudo para fazer arte à vontade. Hoje, 100 livros e muitas travessuras depois, Tatiana Belinky é uma das principais escritoras infantis do país
 

Literatura é educação?Tatiana Belinky : Esta resposta é óbvia! A literatura é importantíssima. É o reino de sua majestade, a palavra. A criança sem literatura não se desenvolve tanto quanto pode. Os livros trazem estética, ética, psicologia, filosofia. Acredito que até brincar com livros, sem necessariamente lê-los, seja saudável. A literatura é um movimento intelectual que nos distingue dos outros animais. Quando converso com uma criança, peço para ela pensar em algo sem palavras. Não existe! A palavra, seja ela dita, seja ouvida, ou seja escrita, é muito forte."Capitu que me desculpe, mas a Emília é a maior heroína literária brasileira". Esta declaração já virou marca registrada de Tatiana Belinky, que acaba de completar 91 anos e também de entrar para a Academia Paulista de Letras. "Nunca imaginei que fossem me indicar, fiquei até um pouco assustada. Mas fui eleita e agora vou à festa da posse. Estou pensando em quem convidar", diverte-se a escritora com o entusiasmo infantil que nutre desde menina, quando queria ser bruxa para praticar travessuras sem receio. Ruth Rocha, sua amiga e membro da Academia, participou do convite, o que a deixou ainda mais lisonjeada.

Outra novidade de Tatiana são seus contos, entre eles "A coruja e a onça", republicados na coleção Ciranda Cirandinha, da Editora Paulus, que reúne grandes autores da literatura infanto-juvenil. Os volumes vêm engrossar a lista já impressionante de mais de 100 livros publicados, sem contar com as muitas traduções de obras-primas assinadas por ela, como dos contos de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm. Tatiana foi responsável, ainda, pela primeira adaptação de "O Sítio do Picapau Amarelo" para a TV, veiculada na década de 1950 pela Tupi. Seu marido, Júlio Gouveia, dirigia os episódios. Ganhou, mais tarde, o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano em 1989. Além disso, ao longo de sua carreira, traduziu muitos compatriotas, entre os quais Gogol, Tchekhov e Tolstoi, mas a criança sempre foi seu público favorito. "Tomei conta do meu irmãozinho, que me ensinou metade de tudo que sei sobre crianças. Desde então, minha preferência é falar com os pequenos, e sei falar com eles", declara.

Literatura é educação?

Ainda hoje, Tatiana é apaixonada por Monteiro Lobato e o coloca acima de todos os outros escritores que se dedicaram ao universo da criança, inclusive estrangeiros. O amor surgiu logo no primeiro contato, quando se mudou de São Petersburgo, à época parte da União Soviética, para São Paulo com sua família. Ela vinha munida de toda a cultura cultivada em casa – a mãe cantava, o pai escrevia poesia – e de três idiomas na ponta da língua (russo, alemão e letão). Logo aprenderia muito bem o português, e o adotou como a língua oficial de sua escrita. Nesta entrevista exclusiva para o Educar para Crescer, Tatiana fala de sua trajetória e da paixão por literatura.

A senhora traduziu grandes autores da literatura mundial. Por que a predileção pela literatura infantil na hora de criar?

Tatiana Belinky : Essa sempre foi a minha preferência. Quando menina, cuidava do meu irmãozinho, que é 10 anos mais novo. Ele me ensinou metade de tudo que sei sobre crianças. Desde então, minha preferência é falar com os pequenos, e sei falar com eles. Além disso, fui uma criança criada em meio a livros, por isso mais do que ninguém sei o quanto é importante ler desde cedo. E livros infantis podem ser admirados por todos. Afinal, dentro de todo adulto inteligente há uma criança que nunca morre.

Como é a sua relação com a tradução?

Tatiana Belinky : Traduzi grandes autores da literatura mundial e o fiz com um respeito muito grande por eles. Traduzir é uma grande responsabilidade. E sempre traduzi livros de autores que admirava, como Tolstoi. A tradução foi fundamental para mim, porque foi assim que comecei a escrever textos para serem publicados. Quando trabalhava com teatro, traduzia e adaptava peças sem parar. Depois veio a TV, e só depois os livros.

Como começou a escrever?

Tatiana Belinky : Primeiro escrevia para a gaveta, só mais tarde para a TV e para livros. Quando era pequena, tinha um diário onde registrava aquilo de que gostava e aquilo de que não gostava. Também comecei a ler muito cedo, aos 4 anos, e a escrever logo depois. Falava muito comigo mesma. Em casa, minha mãe cantava e meu pai escrevia poesia e contava histórias. Ouvir tudo isso foi importante para mim e para os meus irmãos. Depois, quando cheguei ao Brasil, comecei a redigir muitas cartas, pois meus tios e outros parentes haviam ficado em São Petersburgo. Contava para eles minha grande aventura por aqui. Era a época em que eu ainda queria ser bruxa, para poder aprontar. As fadas não podiam fazer maldades. Até hoje coleciono bruxas!

E por que optou pela carreira de escritora?

Tatiana Belinky : Nunca considerei uma carreira, nem uma profissão, e nem fui eu quem foi atrás! Essas coisas todas me aconteceram, nunca procurei nada. Por isso considero quase como um hobby, não como um trabalho. Eu queria conhecer a obra dos grandes escritores, não imitá-los. Mas me convidaram primeiro para traduzir contos de Tchekhov diretamente do russo, pois não havia aqui quem soubesse bem a língua, e até então a maioria das obras era traduzida do inglês e do francês, e não de seus idiomas originais. Foi assim que comecei a escrever oficialmente. Anos depois, quando já adaptava peças de teatro e também teleteatro para a TV Tupi – "O Sítio do Picapau Amarelo" e outros clássicos infantis que adaptava com meu marido, Júlio Gouveia, uma editora da Ática me pediu contos de minha autoria. Cruzei com ela na rua, para ver como as coisas sempre vieram até mim! Eu tinha alguns textos engavetados, mas nunca me tinha passado pela cabeça publicá-los. Pois eles logo publicaram quatro dos cinco que ofereci, entre eles "A Operação do Tio Onofre", que é reimpresso até hoje e está na 14ª edição.

Quais são seus autores favoritos?

Tatiana Belinky : Depois de Monteiro Lobato, meu grande favorito, todos no Brasil mamaram nele, uns com maior êxito, outros com menor. Prefiro não citar. Monteiro Lobato fez literatura para crianças como ninguém. A Emília é minha grande ídola. Admiro também a produção da minha amiga Ruth Rocha. E, claro, os grandes e maravilhosos russos, como Tchekhov e Tolstói, dos quais já traduzi muitos textos.

A senhora gostou desse convite recente para republicar seus contos?

Tatiana Belinky : Claro que gostei! A Paulus me convidou para participar da série "Ciranda Cirandinha", e eu aceitei porque quero estar sempre em contato com crianças. Só que não vou mais a lançamentos, pois estou um pouco cansada. Mas sei que já tenho quatro gerações de admiradores. Adultos que liam as minhas histórias quando pequenos e, claro, os que são pequenos hoje.

Texto Cynthia Costa

Comments are closed.