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Angela Dannemann: "A Educação escolar é o braço comprido da Educação iniciada em casa"

A diretora da Fundação Victor Civita destaca pais e educadores como referências de valores

Na minha casa, a leitura sempre foi um ato tão natural quanto respirar – um verdadeiro privilégio herdado de meus pais. Sempre estranhei a ausência de estantes de livros nas casas que visitava. Acho até que eu era vista com estranheza, por gostar de ler e saber bastante a respeito de várias histórias – coisa de quem não aproveitava bem a vida… Mas os livros enchem a vida de encantos, como também de realidade. Triste de quem não pode ter o privilégio de crescer acompanhado de fadas, bruxas e sacis, da Tia Nastácia, da Cuca e da boneca Emília, de heróis da mitologia, reis, rainhas, princesas e príncipes, além de sapos, ogros e vilões.


Essa boa influência seguiu por toda a minha vida escolar. Estive em colégios que sempre valorizaram o conhecimento e o aprender para compreender o mundo e a vida, por meio de discussões e da atuação em grupos. Além de participar das aulas regulares, pude estudar música, teatro e poesia, atuar em grêmios estudantis, promover festas e disputar campeonatos esportivos e gincanas na minha escola e em outros colégios, desenvolvendo a capacidade de conviver em grupo e ampliando o raciocínio, os valores e a tenacidade diante dos problemas. Isso foi obra de grandes mestres, coordenadores e diretores, cujos nomes e semblantes não esqueço e que tenho a alegria de rever nos eventuais encontros de turma. Conviver com eles foi um privilégio, principalmente durante os tempos bicudos da ditadura, quando não havia espaço para a liberdade de expressão ou para demonstrações mais impetuosas.


A Educação escolar é o braço comprido da Educação iniciada em casa. É a gradual expansão de nossa sociabilidade e de nossos conhecimentos, orientada por exemplos e valores, como na família desde que nascemos. A família de hoje tem configurações diversas e, certamente, todos têm menos tempo para essa função do que na época de minha infância. Mães e pais precisam trabalhar para garantir a sobrevivência, isso quando o pai está presente. Mães que criam filhos sozinhas constituem uma realidade comum, reconhecida por governos, que exigem apenas o nome delas no censo e nos documentos. Assim, entre garantir a sobrevivência, o que é o caso da maioria, ou garanti-la e privilegiar o prazer, caso de alguns, a Educação das crianças vai ficando em segundo plano e sendo transferida para a escola, muitas vezes sem que sejam cumpridos em casa os passos iniciais de sociabilidade, de exemplos e de valores tão importantes. Mas quem são as pessoas que estão agindo nas escolas? Quem são nossos professores e diretores? Eles também são frutos dessas mesmas famílias.


Por isso, ter uma professora ou um professor preparado para exercer bem sua função, formado com toda a especialização necessária para cumprir sua atividade é o primeiro passo para que a Educação de TODAS as crianças tenha qualidade. Um bom gestor, atento ao ambiente escolar, consciente do seu papel de "maestro da orquestra" e com a visão de promover a aprendizagem de todos é o segundo passo. O desenvolvimento de seres humanos conscientes do mundo que os cerca, autônomos e aptos a transformá-lo, quando necessário, só se dá quando a formação dos indivíduos está fundamentada em valores, cujo exemplo está em outros indivíduos. Entender este papel é meio caminho andado para todos que se dizem educadores e querem exercer essa função – professores e gestores.
Como pais, somos apresentadores e guardiões dos valores. Como educadores, ampliamos esses valores e promovemos a discussão e a reflexão dos seus significados e funções. Em ambos os casos, servimos de modelo. O conhecimento disponível no mundo só se torna útil quando é impulsionado pelos valores que absorvemos nos anos de nossa formação, adotados em nosso dia a dia. Eis a importância do papel daqueles que nos ensinam! Eis a grandeza da Educação na minha vida.

Angela Dannemann é engenheira química, especializada em Administração e Gestão. Atua como Diretora Executiva da Fundação Victor Civita e é conselheira do Educar para Crescer

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Um guia completo para as férias

Dicas espertas para seus filhos aproveitarem a pausa com atividades variadas, muito descanso e sem exagerar no uso do videogame e do computador.

Férias. Para as crianças, é um dos períodos de descanso do ano. Agora é esquecer um pouco a escola e só pegar em cadernos daqui a um mês. Essa mamata toda, porém, assusta um pouco os pais. O que fazer com os pimpolhos em todo o tempo livre? A preocupação é justificada, mas a boa notícia é que existem, sim, diversas formas interessantes de entreter a garotada e, de bônus, ainda reforçar os laços familiares. Só é preciso um pouco de dedicação, isto é, nada de largar a tarefa para o playground do prédio e os fiéis companheiros eletrônicos – videogame, TV e computador.

"O segredo é não encher a criança de compromissos e, ao mesmo tempo, também não a deixar totalmente desorientada", aconselha a psicopedagoga Tânia Ramos Fortuna. O ideal, portanto, seria programar viagens, passeios culturais, visitas aos amiguinhos e afins, mas sem lotar os dias de seu filho a ponto de nunca deixá-lo sozinho e livre para escolher o que quer fazer. "As crianças não são senhoras de seu tempo e, hoje, acabam às vezes escravizadas até pelo prazer, com tantas idas a lanchonetes, cinema e festinhas. Os pais podem e devem co-responsabilizar os filhos por suas férias, perguntando a eles o que querem fazer", complementa Tânia, que é coordenadora do curso de extensão "Quem quer brincar?", da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O equilíbrio também é bem-vindo na seleção de atividades. Dias de chuva pedem brincadeiras indoor? Pois nos dias de sol não deixe de ir andar de bicicleta no parque. Vão viajar em família? Invente jogos coletivos, que podem ser muito divertidos – mas, na volta, deixe a criança um pouco isolada, para que tire proveito também da introspecção e de sua própria imaginação.

Quer dicas mais específicas? Clique no link abaixo e veja o que alguns especialistas reuniram de sugestões exclusivas para as férias de seus filhos. Aproveite! 

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/dicas-ferias-409153.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=atividades&

Texto Cynthia Costa

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Como ajudar seu filho na hora da lição de casa? Especialistas indicam como agir para contribuir com a aprendizagem de seu filho.

Sabe qual é a melhor maneira de descobrir se o seu filho está indo bem na escola? Acompanhando a lição de casa dele. Ao participar do dia a dia escolar de seu filho, você consegue perceber se ele está aprendendo o que deveria durante o decorrer do ano. Assim, se perceber que as dúvidas estão se acumulando, você pode procurar a ajuda da escola.

Outra vantagem de saber o que seu filho está estudando é aproveitar para mostrar como tudo aquilo que ele está vendo na escola têm relação com o cotidiano. Como uma reportagem no telejornal sobre a seca, por exemplo. Se seu filho está estudado sobre os efeitos da falta d´água na agricultura, é um bom momento para comentar e deixar que ele fale o que sabe sobre o assunto. "Quando isso acontece, o aprender passa ser algo gostoso, estimulante. E quando a criança descobre o prazer de aprender o interesse pela escola aumenta", afirma a psicóloga Danila Secolim Coser.

Por isso, vale a pena valorizar a hora da lição e criar um ambiente motivador e favorável ao aprendizado. Confira as dicas do que fazer antes, durante e depois da hora da lição compiladas de entrevistas com: Danila Secolim Coser, psicóloga; Heloisa Padilha, educadora e psicopedagoga; Fátima Regina Pires de Assis, professora de graduação e pós-graduação do curso de Psicologia da PUC-SP; Rose Mary Guimarães Rodrigues, docente do curso de Pedagogia da Unitri (Centro Universitário do Triângulo). Todas as entrevistadas possuem pesquisas ou trabalhos acadêmicos sobre Lição de Casa.

ANTES
1. Entenda seu filho
Uma grande ajuda na hora da lição de casa é saber o que motiva e o que desanima seu filho. Por exemplo, será que ele gosta que você fique por perto ou prefere privacidade? Será que você precisa que você ajude-o a organizar por qual matéria começar ou ele quer decidir isso sozinho?

2.Defina as regras em comum acordo
Converse com seu filho e estabeleçam – juntos – como será a rotina para a lição. Onde será feita, em qual horário, etc. Deixe que ele explique suas preferências e seja flexível. Por exemplo: ele não quer perder o programa de TV favorito. Ajustem o horário de modo que ele tenha este direito garantido. Direito que ele perde se não terminar a tarefa a tempo (caso o combinado seja fazer antes) ou se não desligar a TV logo depois (para ir logo se dedicar à lição).
Lembre-se: o ideal é não alterar a rotina, mas, se for o caso, explique o motivo da mudança.

3. Organize o lugar
Escolham – juntos – o local onde a lição será feita. Mas garanta que ele esteja arrumado e limpo na hora combinada. Se for a mesa da cozinha, por exemplo, nada de alimentos ou pratos na hora da lição, hein?
Lembre-se: o bem-estar é superimportante. Verifique a temperatura do ambiente, a iluminação, a ventilação. Quanto mais confortável ele estiver, melhor!

4. Acabe com a distração
Desligue a televisão e o rádio e tente eliminar – ou diminuir -outros sons que atrapalhem a concentração. Ajude seu filho a se concentrar na tarefa!

5. Fique de olho na disposição dele
Na hora da lição, seu filho precisa estar bem disposto. Ou seja: não pode estar cansado, com fome, irritado, distraído… O melhor neste caso é resolver o problema primeiro. E isso vale para você também! Resolva essas questões antes de começar!

6. Confira se todo o material necessário está disponível
Parar a lição para procurar onde está o lápis de cor, a régua ou o dicionário só ajuda a tirar o foco da tarefa. Organize tudo antes de começar para não haver dispersão!

DURANTE
7. Respeite o momento
Todos em casa devem saber que a lição está sendo feita e contribuir, evitando interrupções, barulhos desnecessários ou ações que tirem a concentração e o foco de quem está estudando.

8. Veja se seu filho sabe o que é para ser feito
Pergunte se ele tem dúvidas sobre o que o professor pediu para fazer e coloque-se à disposição para ajudá-lo.

9. Auxilie em caso de dúvidas
Se seu filho tiver uma dúvida, ajude-o. Mas não responda por ele. Sugira que ele procure exemplos parecidos no livro ou no caderno, ou então, ajude-o a pensar sobre o assunto até que ele chegue à sua própria conclusão.

10. Ocupe-se com coisas parecidas
Enquanto ele faz contas, que tal dar uma olhada no orçamento? Se ele vai produzir um texto, aproveite para fazer alguma anotação. O ideal é não parecer que se está fazendo algo mais interessante do que ele – como jogar no computador, por exemplo, ou ver TV.

11. Incentive-o a rever a lição
Olhar a lição de novo depois de terminada é uma boa prática. Se ele pedir para você rever com ele, valorize o esforço e não aponte diretamente os erros. Caso encontre coisas incorretas e perceba que ele tem condição de localizar o erro, estimule-o comentando. "Que tal rever este trecho ou esta conta, veja se está tudo certo ou se encontra algo errado?". Elogie-a se ele encontrar o problema e jamais brigue se isso não ocorrer.

DEPOIS
12. Veja se a lição foi corrigida
Será que a lição de casa foi corrigida? A falta de correção da lição pode desestimular seu filho. Afinal, ele pode entender que de nada valeu tanto esforço. Caso isso se repita sempre, é interessante conversar na escola – com o professor ou com o coordenador.

13. Elogie os acertos e não aponte os erros
Seu filho acertou todos os exercícios da lição passada? Ele merece que você lhe dê parabéns! Mas se errou muitos, nada de briga. Pergunte se, com a correção do professor ele entendeu porque errou. Se a resposta for negativa, estimule-o a tirar dúvidas diretamente com o professor. E acompanhe.

14. Informe o professor em caso de dificuldade
Seu filho deveria ter condição total de fazer a lição de casa sem achá-la muito difícil ou complicada. Afinal, se a lição foi passada, é porque o professor já explicou aquele conteúdo. Às vezes pode ser apenas uma dificuldade pontual e neste caso, estimule seu filho a tirar dúvidas com o professor. Caso isto se torne frequente, o melhor é ir até a escola para identificar onde está o problema.

 Texto Luciana Fleury

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/como-ajudar-seu-filho-licao-casa-700436.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=aprendizagem

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As férias de julho estão chegando. Que tal recuperar laços antigos de família e dar às crianças novas experiências?

Durante as aulas, o mundo da criança gira em torno da escola e dos coleguinhas. A família ganha mais espaço nos fins de semana, mas, ainda assim, pode não ser o suficiente para uma convivência proveitosa. As férias são, então, uma grande oportunidade para interagir com pais, irmãos e outros parentes.

"Boa parte dos membros das famílias de hoje não se conhecem, são estranhos uns aos outros. Os meses de descanso das crianças podem se tornar uma fase de reconhecimento", acredita a psicopedagoga Tânia Ramos Fortuna, que coordena um curso de extensão voltado para educadores que querem aprender a brincar com as crianças. Ela propõe diversas formas divertidas de brincar em família e, assim, aproveitar ao máximo as férias:

Verdade ou conseqüência

Pensa que é só para adolescente? A famosa brincadeira, conhecida também como Jogo da Verdade, pode fazer com que familiares descubram histórias engraçadas uns dos outros e se vejam mais como seres humanos independentes. As crianças, com certeza, vão expressar sua curiosidade. É só formar uma roda e colocar uma garrafa no centro. Para decidir quem pergunta e quem responde, basta girar a garrafa – o gargalo aponta para quem pergunta, ou vice-versa.

Viagem ao passado

É claro que as férias de verão convidam à rua. Mas, quando a família já cansou de perambular, ou num dia de chuva, uma boa pedida é mostrar às crianças fotos delas mesmas de quando eram bebês. Elas podem estranhar no começo, mas logo vão se envolver e querer ouvir causos sobre a sua chegada ao mundo.

Ciclo de filmes

Durante as férias, a família pode promover um ciclo cinematográfico, em casa mesmo. Cada um escolhe um filme, todos se comprometem em assistir a todos. O pai ou a mãe pode, inclusive, organizar a programação em um cartaz. "O bom é que as crianças vão zelar para que o ciclo seja cumprido, e todos vão dividir seus gostos", explica Tânia.

Rodada de jogos de tabuleiro

Fim da tarde, todo mundo já voltou da praia… Ou na cidade mesmo, naqueles dias preguiçosos. Que tal resgatar jogos de tabuleiro antigos ou sair com as crianças para comprar novos?

Oficina de consertos

Para entreter os pimpolhos e ainda transmitir uma cultura de preservação e reciclagem, os pais podem recolher brinquedos e objetos que precisem de reparos e montar uma mini-oficina. As crianças vão achar o máximo – só que devem ficar longe da cola quente e das ferramentas mais perigosas.

Culinária

Crianças adoram pôr a mão na massa. Reserve uma tarde para fazer um bolo, uma torta ou uma sobremesa com os pequenos. Peça para eles separarem ingredientes, misturarem e, claro, lamber a massa crua do bolo também é permitido.

Festa temática

No Ano Novo, se muitos familiares estiverem presentes, uma festa pode mobilizar a criançada e alegrar o ambiente. Música, adereços, convite aos vizinhos: delegue tarefas à garotada, que, na certa, vai se empolgar.

Pés descalços

"As crianças de hoje têm os pés muito limpinhos", brinca a psicopedagoga Tânia. Pois é hora de sujá-los um pouco. Leve seus filhos ao parque, à pracinha ou ao sítio daqueles amigos e esqueça germes e bactérias. Deixe-os brincarem na grama e na terra sem medo. O ganho será maior.

Texto Cynthia Costa

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/ferias-com-familia-409158.shtml?utm_source=redesabril_educrescer&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educrescer

 

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8 dicas para estimular seu filho a escrever

Como criar um ambiente favorável para despertar e ajudar seu filho a manter o gosto pela escrita

Para qualquer lugar que se olhe é possível perceber: vivemos em um mundo letrado. Nomes de lojas, indicações no trânsito, anúncios, destinos de ônibus, embalagens de produtos, na caixa do brinquedo, no videogame, as letras estão por toda a parte, dentro e fora de casa. E por isso, o contato das crianças com a escrita acontece muito antes de isso ser trabalhado formalmente na escola.

São os pais, portanto, os primeiros a terem a oportunidade de apresentar esse maravilhoso universo a seus filhos e ajudar a tornar a escrita, mais do que algo prático, em um prazer. Não se trata, no entanto, de assumir a missão de ensinar o filho a escrever. Apenas criar (e manter) uma boa base para o trabalho que a escola fará depois.

"Tão importante quanto um ambiente que seja favorável e estimule a curiosidade é o respeito ao ritmo da criança. Não é saudável a ansiedade em ver o filho escrevendo precocemente, pois isso gera uma pressão que poderá levar a um desinteresse mais para frente", comenta Sonia Maria Sellin Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Mesmo após o período de alfabetização, há muito o que fazer em casa. "É preciso trazer a escrita para a rotina e envolver a criança em situações nas quais ela é utilizada", defende Silmara Carina Munhoz, doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília).

As duas especialistas apresentam dicas de como despertar e ajudar seu filho a manter o gosto pela escrita.

Repensar a própria relação com a escrita

Para que o estímulo seja efetivo ele deve vir de alguém que tenha real envolvimento com a escrita. "É preciso deixar de encarar a escrita como um bicho-papão, enfrentar seus próprios medos e limites. Caso contrário é como alguém que não gosta de brócolis querer convencer o filho de que brócolis é gostoso", afirma Silmara Carina Munhoz, doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília). "Quem tem dificuldades ou receios pode aproveitar o momento para vencê-los junto com a criança e criar novos hábitos relacionados ao ato de escrever".

Saber que tudo começa com a leitura

Quem lê bastante escreve bem. Seguir as recomendações de como incentivar o gosto pela leitura é também estimular a escrita.

Criar um ambiente no qual regras são seguidas

Para escrever é necessário seguir regras. "Não posso escolher qualquer letra para escrever a palavra ‘casa’. É preciso seguir a convenção estabelecida e isso é mais facilmente compreendido por quem está acostumado com regras", diz Sonia Maria Sellin Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O ideal, então, é envolver a criança na dinâmica familiar, indicando que ela, assim com os demais membros da família, possui deveres. "Para os pequenos pode ser algo simples como colocar o travesseiro no armário. O importante é que haja algo e isso vá se ampliando conforme as condições de cada faixa etária", explica.

Usar a escrita rotineiramente

Manter papel e lápis ao alcance de todos da casa e não perder a oportunidade de usá-los nunca. "Chegou tarde em casa e o filho já estava dormindo? Deixe um bilhete dizendo que você passou no quarto dele para dar um beijo de boa noite", exemplifica Silmara Carina Munhoz, doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília).

Outro bom momento é a hora de fazer a lista de compras do supermercado, que pode ser escrita de forma conjunta, até mesmo pelos menorzinhos (que podem "anotar" desenhando ou rabiscando que é preciso comprar sua bolacha favorita).

Promover jogos e atividades com escrita

Sua filha é fã de um ator ou grupo musical? Que tal, juntas, procurar fotos e informações e escrever um perfil dele? O menino torce para um time de futebol? Chame-o para fazer como você um cartaz do time, com as principais conquistas e jogadores famosos. Ou seja, a sugestão é aproveitar os assuntos de interesse para produções escritas.

"Mas é importante que isso não se torne uma obrigação. E é para ser feito a quatro ou mais mãos, de forma prazerosa. Não pode ser uma tarefa que a mãe passa para o filho fazer sozinho e que irá cobrar depois", ressalta Sonia Maria Sellin Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Valorizar a produção

"As primeiras tentativas da criança serão rabiscos. Ela fará um garrancho e irá dizer que desenhou a mãe, o pai, a avó. É preciso reconhecer este grande passo que é entender que um símbolo pode representar algo e não desestimular dizendo que aquilo não é o desenho de uma pessoa", diz Silmara Carina Munhoz,

Isso vale para todos os momentos da escrita. Receber um bilhete e logo apontar que há erros como a falta de uma letra em uma palavra ou que, por exemplo, "casa" não é escrito com "z", só irá reduzir a espontaneidade da criança.

Ao contrário, é preciso adotar pequenos gestos, como guardar um desenho ou um bilhete da criança, ou acompanhar o que o filho escreve em blogs ou nas redes sociais e interessar-me pela poesia que ele criou. "Isto mostra que você valoriza esta forma de comunicação", comenta a doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB.

É importante também que os pais também produzam e compartilhem suas criações.

Preocupar-se com a caligrafia na medida certa

Não é preciso exigir do seu filho excessos de capricho na letra. O importante é que seja possível entender o que ele quis escrever. Caso a letra prejudique o entendimento, vale chamar a atenção. "Um modo bastante prático é deixar um bilhete com um assunto de interesse de seu filho com trechos impossíveis de ler por causa da letra. Ele perceberá como isso atrapalha a comunicação", sugere Sonia Maria Sellin Bordin, fonoaudióloga doutorada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Uma saída pode ser os famosos cadernos de caligrafia. Mas o ideal é debater o assunto com o professor para buscar a melhor solução.

Não abandonar o processo

O envolvimento da família com a escrita não pode ser encerrado só porque já se percebe que a criança ou o jovem já tem total autonomia no escrever. Os bons hábitos e atividades devem ser mantidos e ainda ampliados, tornando-se algo natural na rotina.

"É um erro comum. Pais deixam de ler histórias assim que seus filhos aprendem a ler, privando a criança daquele momento que ela tanto gostava, o que só desestimula", comenta doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília).

Texto Luciana Fleury

www.educarparacrescer.com.br

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