Uma nova grafia

As regras para a unificação da forma de escrever em português já estão em vigor. Preparem-se

Os romances editados no Brasil raramente são lidos em Portugal. Da mesma forma, as produções literárias de lá têm pouco mercado por aqui. Em Moçambique e Angola, países africanos que também falam o português, as edições impressas tanto no Brasil como em Portugal não circulam entre a população. Apesar de todos esses países usarem o mesmo idioma, nem sempre é fácil para o habitante de um deles entender o texto escrito no outro – porque, além das diferenças culturais, existem as variações na maneira de grafar as palavras, aqui e do outro lado do Atlântico.

A unificação da ortografia da Língua Portuguesa, anunciada com alarde pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, promete acabar com parte desse cenário de desencontros. A partir do mês de janeiro, os habitantes de quatro nações (Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal) passaram a seguir as mesmas regras para escrever, definidas por um novo acordo ortográfico. Os outros quatro integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste) aguardam a aprovação formal do tratado para também adotar as regras – o que deve ocorrer nos próximos meses.

1. Quando as mudanças começam a valer?

O governo brasileiro definiu que as mudanças entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2009 – mas o uso da grafia antiga (em livros e outras publicações, além de vestibulares, provas e concursos públicos) está liberado até o fim de 2012. Os especialistas acreditam que esses quatro anos são mais do que suficientes para que nós, usuários da língua, nos acostumemos às novidades. Calcula-se que, no Brasil, 2 mil palavras sofrerão alterações, ou seja, 0,5% do total.

"É importante ressaltar também que o acordo não interfere na língua falada. Cada uma das nações de Língua Portuguesa mantém seus padrões de entonação e pronúncia. Essa diversidade de sotaques não será abalada. Por isso, a adaptação não deve ser tão difícil para quem escreve com frequência", afirma Irandé Antunes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Estadual do Ceará. Além disso, o acesso a materiais escritos é maior do que há algumas décadas e tanto os principais jornais do país (como O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Extra) quanto a maior editora de revistas (Abril) – já adotaram as normas da nova ortografia.

2. A reforma pode prejudicar a alfabetização?

Crianças em processo de alfabetização serão as menos afetadas. Isso porque nas séries iniciais ainda não há um trabalho sistemático com acentuação nem com o uso do hífen – que são os dois principais grupos de mudanças do novo acordo. "Nesse momento, os pequenos se preocupam com outros aspectos da ortografia. Quando chegarem à fase de refletir sobre acentos circunflexos e agudos, as regras novas certamente já estarão mais consolidadas e será mais simples as colocarem em prática", afirma Clécio Bunzen, coordenador do curso de pós-graduação em Alfabetização e Letramento da Universidade de Jundiaí, na Grande São Paulo.

Apesar de o jeito de escrever já ter mudado, o tempo relativamente longo de adaptação faz com que nem todos os livros didáticos e materiais impressos disponíveis para os alunos tenham a grafia nova (e essa situação deve perdurar). A convivência com palavras escritas de duas formas diferentes pode provocar alguma confusão entre os estudantes recém-alfabetizados ou mesmo nos que dominam bem algumas regras da língua escrita. Por isso, professores de todas as disciplinas precisam conhecer as mudanças para ajudá-los a revisar textos e ter sempre bons materiais de consulta para usar quando aparecerem dúvidas.

Leia a reportagem completa em http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/nova-grafia-433244.shtml#

Texto de Beatriz Santomauro e Beatriz Vichessi

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