Como dizer “não” ao seu filho

Especialistas explicam importância de se estabelecerem limites na educação.

Dizer “não” a um filho não é tarefa simples, e atravessar todas as suas fases de crescimento mantendo a palavra de ordem é ainda mais difícil. Afinal, negar algo para um menino de dois anos de idade não é o mesmo que contrariar um adolescente de 17.

“Desde o princípio, guardadas as devidas proporções, o caminho é o diálogo. É preciso mostrar desde sempre que ele deve ter uma conduta de respeito”, explica a pedagoga Fernanda Giori.

Insistir na sua palavra também é fundamental em qualquer época. Uma criança pequena que não aceita um “não” e sempre consegue algo depois de uma pirraça pode transformar-se em um jovem problemático.

“Quando eles chegam aos oito, nove anos de idade, percebemos que o comportamento voluntarioso se agrava e, na adolescência, chega ao auge, como consequência de uma educação que não é vista com seriedade”, detalha Fernanda Giori.

LIMITES
O entendimento de um acriança do que é certo ou errado vem, justamente, dos valores e dos limites que os pais dão a ela. E para demonstrar isso, na primeira infância, até os cinco anos de idade, vale um “não” acompanhado de uma explicação sucinta, breve e objetiva.

Especialistas lembram que cada menino e menina tem seu próprio ritmo de desenvolvimento e personalidade, mas, ao fim desse período, a criança passa por uma formulação da sua identidade. É um processo primitivo, que tem sua explosão na adolescência.

“Existe um consenso de que, em torno dos cinco, seis anos, o que coincide com o início escolar, a criança já tem condições de internalizar noções sociais consideráveis de certo e errado”, destaca o psicólogo e doutor em Desenvolvimento da Personalidade Adriano Pereira Jardim.

Aos poucos, com o crescimento, eles passam a compreender melhor a razão dos limites impostos, ganham capacidade de argumentação – além da chantagem emocional – e criam a aura de respeito pelos pais, que, eles sabem, fazem tudo para protegê-los.

Com 2 anos, ele impõe sua vontade
Na primeira infância, nos cinco primeiros anos de vida, os pequenos ainda não sabem argumentar bem, mas demonstram seu  descontentamento e vontades, principalmente, com manha e choro. Davi, de 2 anos, sempre que é contrariado apela para a pirraça. “Só dizer ‘não’ e explicar não adianta. Ele ainda não entende que muitas vezes o estamos protegendo de um risco. Tem que ter paciência”, diz a mãe, a supervisora de contratos Nazaré Fontana Ataíde. Ela e o marido, o representante comercial Sóstenes Ataíde, tentam conter a teimosia do filho com castigo, mas isso também não resolve. “Às vezes, apelamos para uma palmada, mas não sabemos se é correto ou ele acaba ficando mais revoltado”, diz Nazaré.

Castigo é a estratégia para a Ana
Aos sete anos, Ana Luiza não entende a razão de seus pais poderem assistir à televisão até mais tarde, enquanto ela tem que abrir mão dos desenhos e dormir. “Explicamos que ela tem que acordar cedo, mas é complicado”, relata o pai, o técnico operacional Luiz Carlos Alves de Souza. A hora de ir para a escola também é difícil, porque Ana sempre quer ficar assistindo à TV ou brincando com seus amigos do condomínio. “Ela obedece, mas tem que dar uma forçada”, diz o pai. A pequena também já fez pirraça e chorou em um shopping porque queria um brinquedo. Para que ela respeite o “não”, a mãe, a assistente de RH Liciana Carretta, determina que seja colocada de castigo, mas o pai conta que, mesmo assim, Ana reclama.

 

DOMINGO, 13 DE ABRIL DE 2014 A GAZETA

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