Copa do Mundo 2014

Não deixe que a Copa atrapalhe a escola

Não há nada de errado em curtir a festa do futebol. Mas os pais não podem permitir que o evento tire o foco dos estudos.

Imagine na Copa: todo mundo estará falando de futebol, combinando aonde assistir aos jogos e torcendo pelo Brasil, lógico. O assunto deverá dominar o país, que pela segunda vez na história sediará o campeonato. Mas e os estudos do seu filho? Será que um grande evento esportivo como esse terá o poder de tirar a concentração e influenciar o desempenho escolar?

Segundo os educadores, os pais podem adotar atitudes que permitam aproveitar a festa do futebol sem deixar que isso atrapalhe a rotina escolar das crianças e adolescentes. "É importante lembrar que há hora para tudo. Por isso, assistir aos jogos com os filhos, num momento prazeroso, é importante. Assim como é importante, na hora do trabalho e da lição, que todos cumpram com prazer suas obrigações", afirma a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix, de São Paulo. Veja as dicas para não deixar que a Copa atrapalhe o dia a dia escolar:

1. "O ano só começa depois da Copa", "em ano de Copa não se estuda nem trabalha". Como os pais devem agir para que ideias como essa não predominem?

Não há como negar que em ano de Copa do Mundo há uma mudança comportamental da sociedade. "Trata-se de uma questão cultural do país, ainda mais sendo o nosso país a sede desse fenômeno. O que precisamos ter claro e pontuar para nossos filhos é que apesar de toda a grandiosidade do evento, a vida deve seguir o rumo natural", afirma a pedagoga Glay Chrystinne Cápua, professora do Instituto Madre Mazzarello, em São Paulo.

De acordo com ela, os pais devem combater essa imagem de que em ano de Copa não se trabalha nem se estuda. As prioridades devem continuar as mesmas: o lazer proporcionado pela festa do futebol não pode interferir no trabalho dos adultos ou no estudo das crianças. É preciso mostrar que a Copa é um evento único, isolado e passageiro. Bobear com os estudos, por outro lado, pode ter consequências que vão permanecer depois que a Copa acabar.

2. Como manter uma boa rotina escolar?

Segundo a pedagoga Glay Chrystinne Cápua, professora do Instituto Madre Mazzarello, o papel dos pais é ajudar os filhos a desenvolver uma rotina que seja adequada e harmônica com as demais atividades do cotidiano. "Muitas vezes isso não é uma tarefa fácil, nem para pais, tampouco para os filhos. Mas devemos orientá-los para que consigam organizar e desenvolver da melhor forma as tarefas escolares, reservando, local e horário adequado para a sua realização", diz ela.

Na hora de definir a rotina, uma dica é fazer combinados junto com a criança. "Os combinados ajudam os pais a cobrar dos filhos a realização de tarefas sem que eles tenham muita chance de discordar, pois eles participaram das decisões", afirma a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix.

3. Rotina escolar é algo que não pode mudar nunca, nem durante a Copa?

Muita calma nessa hora, não é preciso – e nem é bom – radicalizar. "Sejamos realistas, existe uma rotina, mas ela pode sofrer algumas alterações ao longo do ano, seja por uma circunstância eventual ou por um evento como a Copa do Mundo. E não há um grande problema nisso: precisamos tornar as nossas crianças e adolescentes pessoas flexíveis", pondera a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix.

Mas, novamente, aqui também valem os combinados. Se a criança ou adolescente quer assistir a um jogo justamente no horário reservado diariamente para a lição de casa, pode ser feito um ajuste para que o dever seja feito mais tarde ou mais cedo. Só o que não pode é deixar de fazê-lo.

"Os 'combinados' com as crianças e adolescentes devem levar em conta, além da faixa etária, as diferenças individuais. Todo pai conhece seu filho: então é importante ter em conta quanto tempo ele precisa para realizar uma tarefa ou o seu grau de comprometimento", diz Susana. A criança quer assistir a um jogo que vai ser transmitido à noite? O pai deverá ponderar se ele terá depois as horas de sono suficientes para acordar com disposição. A criança quer deixar para estudar para a prova em outro momento? Tudo bem, desde que o acordo seja cumprido. "Isso vai possibilitar aos filhos se comprometerem com aquilo que assumiram. É muito importante ensinar um filho a ter palavra", diz a psicóloga.

4. E se a criança mentir e "cabular" aulas para ver os jogos? O que fazer?

Conversar para avaliar os motivos da mentira e apontar as consequências do ato é a estratégia mais adequada. "Quando a criança esconde algo pode ser um sinal de que não encontra acolhimento de seus desejos na família ou de que está sendo influenciada por um grupo de amigos. Neste caso, o diálogo é o melhor caminho", diz a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix.

Conversar, porém, não diminui a responsabilidade da criança ou adolescente pela mentira contada. "Ele deve ser responsável por aquilo que faz, portanto deve assumir seus atos, bem como as consequências que eles lhe trouxerem. Deve responder por suas atitudes, só assim, poderá repensar e sustentar suas escolhas", diz a pedagoga Glay Chrystinne Cápua, professora do Instituto Madre Mazzarello.

5. Qual a importância do exemplo dos pais na hora de mostrar que a Copa não deve afetar o cumprimento de deveres?

O exemplo dos pais é sempre importante e fundamental na educação de seus filhos em qualquer situação da vida, conforme diz a pedagoga Glay Chrystinne Cápua, professora do Instituto Madre Mazzarello. "É preciso que sejamos coerentes entre o que dizemos e o que fazemos. Temos que ser o modelo daquilo que queremos e esperamos dos nossos filhos", diz ela. Portanto, se seu filho não pode "cabular" aulas por causa da Copa, os pais também não devem mentir no trabalho para faltar em dias de jogo.

6. Brigas por causa do futebol podem acontecer até na escola. O que os pais podem fazer para evitar isso?

O primeiro passo é os pais se questionarem como é o comportamento deles mesmos em relação ao futebol: "Responda: você é fanático por um time de futebol? O seu único prazer é torcer pelo seu time? Você briga pelo seu time? Não admite que seu filho torça para outro time? Dependendo das respostas, seu filho tem grande chance de se tornar um jovem violento" diz a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix. Portanto mais uma vez, vale ressaltar que o exemplo dos pais é decisivo para os filhos. "Devemos resgatar e cultivar em nossos filhos a cultura da paz, do respeito, da solidariedade, da humanidade. Esse é o verdadeiro sentido do esporte em nossas vidas", diz a pedagoga Glay Chrystinne Cápua, professora do Instituto Madre Mazzarello.

7. A Copa do Mundo não deve atrapalhar os estudos. Mas ela pode ajudar a ensinar?

Sim, sem dúvida. "Tanto a Copa como os Jogos Olímpicos (que também acontecerão no Brasil, em 2016) são temas com possibilidades transversais, ou seja, estão relacionados com diversas áreas do conhecimento. Desenvolvem, além do espírito esportivo, a consciência das diferenças culturais e políticas", afirma a psicóloga Susana Orio, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix. "Até a matemática pode ser incluída, com as contagens de pontos e estatísticas", afirma ela. A pedagoga Glay Chrystinne Cápua, do Instituto Madre Mazzarello, concorda e acrescenta: "Por ser um evento de grande repercussão e de grande interesse das crianças, é interessante que se faça valer como fonte de estudo, pesquisa e informação".

Texto Adriana Carvalho – Educar para Crescer

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