Cultura

Qual a melhor diversão para cada idade?

A educadora Adriana Friedmann, autora dos livros A Arte de Brincar e Desenvolvimento da Criança através do Brincar, indica a melhor brincadeira para cada faixa etária

Você já parou para pensar no que o seu filho faz quando está fora da escola? Assiste TV, pratica esportes, brinca com amiguinhos? Nas férias, nos fins de semana ou no contraturno, é natural que as crianças (e os pré-adolescentes, claro) queiram se divertir, mas os pais devem estar atentos às brincadeiras dos pequenos (e mesmo daqueles que não são mais tão pequenos), pois há atividades adequadas e inadequadas para cada faixa etária.

A educadora Adriana Friedmann, autora dos livros A Arte de Brincar e Desenvolvimento da Criança através do Brincar, explica que o "brincar" deve ter lugar prioritário na vida da criança. "Brincar é fundamental na infância por ser uma das linguagens expressivas do ser humano. Proporciona a comunicação, a descoberta do mundo, a socialização e o desenvolvimento integral", afirma.

De acordo com a educadora, o "brincar" é composto por vários elementos: uma estrutura (começo, meio e fim), os meios (como brincar), os fins (por que brincar), o conteúdo (a temática da brincadeira), as regras, o espaço, o tempo, os brinquedos, os parceiros e um comportamento lúdico (ações e reações daqueles que brincam). "Historicamente o homem sempre brincou, através dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, sem distinção, nas ruas, praças, feiras, rios, praias, campos. Mas, ao longo do tempo, as formas de brincar, os espaços e tempos de brincar, os objetos de brincar e os brincantes foram se transformando", afirma Adriana Friedmann. Leia mais sobre a história da infância na reportagem O fim da infância.

Segundo a educadora, brincar sempre foi essencial para o ser humano, mas é uma ação que está perdendo seu espaço físico e temporal. Entre as causas dessa perda de espaço estão o crescimento das cidades, a ausência de locais públicos voltados para o lazer, o fato de as crianças terem muitas atividades extracurriculares, a falta de segurança e a inserção da mulher no mercado de trabalho, o que diminuiu o tempo das crianças perto da família.

Tudo isso provocou uma redução na quantidade de tempo que as crianças dedicam a brincadeiras. Para não deixar que o seu filho cresça sem saber o que são brincadeiras como esconde-esconde e amarelinha, é preciso que você entre em ação, acompanhe as atividades dele e incentive-o a brincar de forma saudável e adequada para a idade. A educadora Adriana Friedmann alerta: cada faixa etária exige um tipo diferente de brincadeira. Veja a seguir quais as atividades mais indicadas para cada idade e, depois, responda ao teste elaborado pela educadora para descobrir se você sabe incentivar o seu filho a brincar de forma saudável e educativa.

A melhor brincadeira de 0 a 3 anos

O que a criança curte nessa fase: As crianças menores gostam de levar objetos à boca, jogá-los e deixá-los rolar. Gostam também de sons, que estimulam o movimento.

O que os pais devem lembrar: Nesta fase, é importante que o adulto esteja sempre por perto. As crianças devem brincar em espaços seguros e sem riscos. Também é preciso observar a alimentação e o sono, pois passeios muito longos podem cansar. Entre zero e 3 anos, é muito importante que a criança tome ar puro e sol e fique em contato com a natureza. Mas é bom observar o horário: das 9 às 11horas ou entre 15 e 16 horas.

Atividades ideais: Aquários, parquinhos infantis, peças ou apresentações musicais infantis, passeios ao ar livre em carrinhos são atividades ideais.

Ponto de atenção: Não se recomenda exposição à TV, computador ou vídeos. Espaços muito barulhentos e lotados, como shopping centers, não são adequados, pois as crianças precisam de liberdade para se movimentar.

Dica da Adriana: "Nessa idade, o mais importante é que o adulto se adapte ao programa dos menores".

A melhor brincadeira de 3 a 7 anos

O que a criança curte nessa fase: A criança já tem uma certa independência e gosta de brincar sozinha com irmãos ou amiguinhos.

O que os pais devem lembrar: A partir dos 3 anos, é importante que as crianças participem das escolhas dos programas. Elas já não precisam estar sempre acompanhadas do pai ou da mãe, podendo ficar em companhia de outros adultos, mas sempre sabendo que os pais voltarão para buscá-las. Também é interessante conversar com elas após os programas, tentar descobrir o que elas sentiram, se gostaram, se têm vontade de repeti-lo.

Atividades ideais: Contato com a natureza, com animais, passeios e brincadeiras ao ar livre com equipamentos que as desafiem, como bolas, triciclos ou bicicletas, são ótimas atividades para dias bonitos. Quando estiver frio ou chovendo, atividades artísticas em casa e visita a museus, de preferência interativos, são boas opções.

Ponto de atenção: TV e vídeos já são permitidos, mas apenas por curtos períodos diários.

Dica da Adriana: "Nesta idade, a crianças já falam e sabem explicar o que gostam, o que lhes provoca medo, o que querem ou não". 

A melhor brincadeira de 7 a 10 anos

O que a criança curte nessa fase: Quando chegam ao Ensino Fundamental, as crianças querem e procuram companhias da mesma idade. Gostam de acampamentos, espaços ao ar livre e parques.

O que os pais devem lembrar: A companhia de outras crianças da mesma idade é recomendável e muito salutar. Atividades como acampamentos e idas a clubes e a parques proporcionam essa convivência. Nessa faixa de idade, as crianças também já podem passar alguns períodos sozinhas, para que escrevam, pintem e brinquem do que tiverem vontade.

Atividades ideais: As crianças precisam de desafios, iniciação aos esportes, contato com a natureza e visitas a museus. Leitura e jogos de tabuleiro também são boas opções, principalmente para dias frios ou nublados, quando preferem ficar dentro de casa. O contato com instrumentos musicais também é muito interessante.

Ponto de atenção: TV, vídeo e computador devem ser limitados. Como nessa idade as crianças já são mais independentes, é preciso atenção com comidas fora de casa, principalmente com fast food e com petiscos rápidos.

Dica da Adriana: "Como as crianças já têm discernimento, os eletrônicos, se usados por longos períodos, têm o poder de atrapalhá-las".

A melhor brincadeira de 10 a 12 anos

O que o pré-adolescente curte: Esta é uma fase de autonomia em que os jovens procuram outros da mesma idade, esportes diversos, saídas em grupo.

O que os pais devem lembrar: É uma fase que deve ser acompanhada pelos adultos com muita conversa e orientação. É importante que os pais conheçam as companhias dos filhos e estimulem a convivência com outras crianças da mesma idade.

Atividades ideais: Iniciar o aprendizado de novas habilidades, como esportes, instrumentos musicais e técnicas plásticas, pode ser interessante nesse período. Centros de convivência e clubes costumam oferecer atividades em grupo ideais para essa faixa etária. Livros e música também são sempre uma boa pedida.

Ponto de atenção: TV, computador e vídeo ainda devem ser acompanhados de perto, tanto no tempo de exposição quanto nos conteúdos.

Dica da Adriana: "Dos 10 aos 12 anos, os pais também devem orientar os filhos no uso do dinheiro, em como usar transporte público, como se locomover, se proteger e se deslocar na rua ou em espaços públicos".

Texto Marina Azaredo – Educar para Crescer

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Estudantes do Ensino Médio do Centro Educacional Projetar apresentaram a peça "Auto da Barca do Inferno" no Centro Cultural Nice Avanza. Para assistir, os espectadores tiveram que doar alimentos não perecíveis que serão entregues ao Lar da Fraternidade. A peça teatral fez tanto sucesso, que será reapresentada no próximo dia 17.

Entenda melhor:

Alunos do Ensino Médio do Projetar encenam o “Auto da Barca do Inferno”

A apresentação da peça teatral reuniu dezenas de pessoas no Centro Cultural Nice Avanza na noite do dia 20 de junho.

Ao estudar o movimento cultural e literário Classicismo, a turma da 1ª série do Ensino Médio do Centro Educacional Projetar, sob a supervisão da professora de literatura Renata Serafim, optou por inovar.

Unindo ensinamentos de literatura, sociologia, filosofia e educação financeira, os alunos representaram o “Auto da Barca do Inferno”, alegoria dramática de autoria do dramaturgo português Gil Vicente, que também faz parte do Classicismo e foi apresentada em peça pela primeira vez em 1517.

O texto ganhou os moldes da linguagem atual e vários personagens mudaram para abordar melhor os dilemas da sociedade de hoje. Desde o cenário, a sonoplastia e figurinos, tudo foi feito pelos alunos.

A solidariedade também ganhou espaço. Cada quilo de alimento não perecível garantia um ingresso para a peça. Nessa primeira apresentação foram arrecadados 130 kg de alimentos, que serão doados ao Lar da Fraternidade.

O resultado surpreendeu os pais. “Eu achei muito bom, me diverti bastante! Acho a iniciativa muito válida”, disse Aureliano Pires, pai da aluna Caroliny Brito Pires. Para Genivaldo Bassini, pai da também aluna Nayara Baldi Bassini, a peça foi algo totalmente novo. “Aos 53 anos, essa foi a primeira peça teatral que eu vi na vida. Fui surpreendido. Foi maravilhoso”, disse.

Para a professora de literatura que supervisionou o projeto, Renata Serafim, a sensação é de dever cumprido. “Nossa proposta era que eles conhecessem um pouquinho da literatura do século 14. Fizemos uma relação entre o moderno e o arcaico. O resultado foi inesperado. Foi além das expectativas”, afirma a professora.

Reapresentação
Devido ao sucesso, a peça será reapresentada no próximo dia 17 de julho, às 19h30 no Centro Cultural Nice Avanza, Centro de Linhares.

Para assistir, basta trocar alimentos não perecíveis por ingressos nas unidades I e II do Centro Educacional Projetar, do dia 10 ao dia 16 de julho. Cada quilo vale uma entrada.

O “Auto da Barca do Inferno”
A peça tem como cenário o caminho entre o céu e o inferno. Depois de mortas, as personagens ficam entre a barca que leva ao paraíso e é chefiada pelo Anjo e a barca que vai para o inferno, chefiada pelo Diabo. Uma a uma, as pessoas passam por julgamentos que levam em conta sua conduta na Terra. E é exatamente esse julgamento que decide entre a salvação e a perdição, destino da maioria das personagens.

Confira um pouco da encenação em vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=sWqYsZo5Nmc

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Cultura

Músicas para apreciar e aprender

É unanimidade: todo mundo gosta de ouvir música. Mas poucos sabem que, além de ser uma atividade prazerosa para todas as idades, a música pode ser uma grande fonte de aprendizagem. “O ato de ouvir música em casa é uma maneira prazerosa de fortalecer os vínculos entre as pessoas de uma família”, diz Rodrigo Russano, professor do Colégio Palas e diretor de ensino na Casa de Música de Ipanema. “É também uma ótima oportunidade para gerar conhecimento, trabalhar a escuta e a imaginação com os filhos”, complementa.

Pensando nisso, o Educar para Crescer iniciou a série Música da Semana, com sugestões para expandir o repertório da família e maneiras de trabalhar diferentes músicas em casa. Desde o despertar da audição até a atenção para os elementos da letra, a música pode ser um grande aprendizado em conjunto, envolvendo pais e filhos.

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Qual a melhor diversão para cada idade? A educadora Adriana Friedmann, autora dos livros A Arte de Brincar e Desenvolvimento da Criança através do Brincar, indica a melhor brincadeira para cada faixa etária

Você já parou para pensar no que o seu filho faz quando está fora da escola? Assiste TV, pratica esportes, brinca com amiguinhos? Nas férias, nos fins de semana ou no contraturno, é natural que as crianças (e os pré-adolescentes, claro) queiram se divertir, mas os pais devem estar atentos às brincadeiras dos pequenos (e mesmo daqueles que não são mais tão pequenos), pois há atividades adequadas e inadequadas para cada faixa etária.

A educadora Adriana Friedmann, autora dos livros A Arte de Brincar e Desenvolvimento da Criança através do Brincar, explica que o "brincar" deve ter lugar prioritário na vida da criança. "Brincar é fundamental na infância por ser uma das linguagens expressivas do ser humano. Proporciona a comunicação, a descoberta do mundo, a socialização e o desenvolvimento integral", afirma.

De acordo com a educadora, o "brincar" é composto por vários elementos: uma estrutura (começo, meio e fim), os meios (como brincar), os fins (por que brincar), o conteúdo (a temática da brincadeira), as regras, o espaço, o tempo, os brinquedos, os parceiros e um comportamento lúdico (ações e reações daqueles que brincam). "Historicamente o homem sempre brincou, através dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, sem distinção, nas ruas, praças, feiras, rios, praias, campos. Mas, ao longo do tempo, as formas de brincar, os espaços e tempos de brincar, os objetos de brincar e os brincantes foram se transformando", afirma Adriana Friedmann. Leia mais sobre a história da infância na reportagem O fim da infância.

Segundo a educadora, brincar sempre foi essencial para o ser humano, mas é uma ação que está perdendo seu espaço físico e temporal. Entre as causas dessa perda de espaço estão o crescimento das cidades, a ausência de locais públicos voltados para o lazer, o fato de as crianças terem muitas atividades extracurriculares, a falta de segurança e a inserção da mulher no mercado de trabalho, o que diminuiu o tempo das crianças perto da família.

Tudo isso provocou uma redução na quantidade de tempo que as crianças dedicam a brincadeiras. Para não deixar que o seu filho cresça sem saber o que são brincadeiras como esconde-esconde e amarelinha, é preciso que você entre em ação, acompanhe as atividades dele e incentive-o a brincar de forma saudável e adequada para a idade. A educadora Adriana Friedmann alerta: cada faixa etária exige um tipo diferente de brincadeira. Veja a seguir quais as atividades mais indicadas para cada idade.

A melhor brincadeira de 0 a 3 anos
     O que a criança curte nessa fase: As crianças menores gostam de levar objetos à boca, jogá-los e deixá-los rolar. Gostam também de sons, que estimulam o movimento.

O que os pais devem lembrar: Nesta fase, é importante que o adulto esteja sempre por perto. As crianças devem brincar em espaços seguros e sem riscos. Também é preciso observar a alimentação e o sono, pois passeios muito longos podem cansar. Entre zero e 3 anos, é muito importante que a criança tome ar puro e sol e fique em contato com a natureza. Mas é bom observar o horário: das 9 às 11horas ou entre 15 e 16 horas.

Atividades ideais: Aquários, parquinhos infantis, peças ou apresentações musicais infantis, passeios ao ar livre em carrinhos são atividades ideais.

Ponto de atenção: Não se recomenda exposição à TV, computador ou vídeos. Espaços muito barulhentos e lotados, como shopping centers, não são adequados, pois as crianças precisam de liberdade para se movimentar.

Dica da Adriana: "Nessa idade, o mais importante é que o adulto se adapte ao programa dos menores".

A melhor brincadeira de 3 a 7 anos
     O que a criança curte nessa fase: A criança já tem uma certa independência e gosta de brincar sozinha com irmãos ou amiguinhos.

O que os pais devem lembrar: A partir dos 3 anos, é importante que as crianças participem das escolhas dos programas. Elas já não precisam estar sempre acompanhadas do pai ou da mãe, podendo ficar em companhia de outros adultos, mas sempre sabendo que os pais voltarão para buscá-las. Também é interessante conversar com elas após os programas, tentar descobrir o que elas sentiram, se gostaram, se têm vontade de repeti-lo.

Atividades ideais: Contato com a natureza, com animais, passeios e brincadeiras ao ar livre com equipamentos que as desafiem, como bolas, triciclos ou bicicletas, são ótimas atividades para dias bonitos. Quando estiver frio ou chovendo, atividades artísticas em casa e visita a museus, de preferência interativos, são boas opções.

Ponto de atenção: TV e vídeos já são permitidos, mas apenas por curtos períodos diários.

Dica da Adriana: "Nesta idade, a crianças já falam e sabem explicar o que gostam, o que lhes provoca medo, o que querem ou não".

A melhor brincadeira de 7 a 10 anos
     O que a criança curte nessa fase: Quando chegam ao Ensino Fundamental, as crianças querem e procuram companhias da mesma idade. Gostam de acampamentos, espaços ao ar livre e parques.

O que os pais devem lembrar: A companhia de outras crianças da mesma idade é recomendável e muito salutar. Atividades como acampamentos e idas a clubes e a parques proporcionam essa convivência. Nessa faixa de idade, as crianças também já podem passar alguns períodos sozinhas, para que escrevam, pintem e brinquem do que tiverem vontade.

Atividades ideais: As crianças precisam de desafios, iniciação aos esportes, contato com a natureza e visitas a museus. Leitura e jogos de tabuleiro também são boas opções, principalmente para dias frios ou nublados, quando preferem ficar dentro de casa. O contato com instrumentos musicais também é muito interessante.

Ponto de atenção: TV, vídeo e computador devem ser limitados. Como nessa idade as crianças já são mais independentes, é preciso atenção com comidas fora de casa, principalmente com fast food e com petiscos rápidos.

Dica da Adriana: "Como as crianças já têm discernimento, os eletrônicos, se usados por longos períodos, têm o poder de atrapalhá-las".

A melhor brincadeira de 10 a 12 anos
     O que o pré-adolescente curte: Esta é uma fase de autonomia em que os jovens procuram outros da mesma idade, esportes diversos, saídas em grupo.

O que os pais devem lembrar: É uma fase que deve ser acompanhada pelos adultos com muita conversa e orientação. É importante que os pais conheçam as companhias dos filhos e estimulem a convivência com outras crianças da mesma idade.

Atividades ideais: Iniciar o aprendizado de novas habilidades, como esportes, instrumentos musicais e técnicas plásticas, pode ser interessante nesse período. Centros de convivência e clubes costumam oferecer atividades em grupo ideais para essa faixa etária. Livros e música também são sempre uma boa pedida.

Ponto de atenção: TV, computador e vídeo ainda devem ser acompanhados de perto, tanto no tempo de exposição quanto nos conteúdos.

Dica da Adriana: "Dos 10 aos 12 anos, os pais também devem orientar os filhos no uso do dinheiro, em como usar transporte público, como se locomover, se proteger e se deslocar na rua ou em espaços públicos".

Texto Marina Azaredo

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Cultura

6 razões para ler com seu filho nas férias

Não é tão simples desenvolver o gosto pela leitura, mas é aos poucos – e na companhia de leitores experientes – que as crianças e adolescentes se interessam pelos livros

Aproximam-se as férias ou, pelo menos, nos dias de descanso por conta das festas. Nada de acordar cedo para trabalhar, enfrentar horas no trânsito e viver na loucura do dia a dia. É hora de curtir a família. No seu filho bate a mesma alegria: acabaram-se – pelo menos temporariamente – as provas e os compromissos escolares.

Por essas e outras razões, o período das férias é muito especial. Podemos fazer coisas que não encontramos tempo na correria cotidiana. E uma delas é criar momentos de prazer com seu filho. Aqui você encontra boas razões para ler com ele nas férias:

1. Ajuda a não perder o ritmo de aprendizagem
As férias devem ser um período de descanso para seu filho, mas fique atento para que este relaxamento não o faça perder o fio da meada. O próximo ano não está tão distante assim e há muitas formas de mantê-lo estimulado sem que isto o desgaste. Frequentar museus, cinemas e exposições são boas alternativas. E outra, que se faz em casa mesmo, é ler para ele ou incentivá-lo a ler sozinho.

A aprendizagem não acontece de forma fragmentada, como se fossem várias gavetinhas onde se separam as meias das camisetas. O que vocês descobrem juntos a partir da leitura irá somar-se ao repertório de conhecimento de vocês. Então, passarão a conhecer novos livros, autores e ilustradores, poderão se encantar e aprender com a linguagem literária, ganharão maior fluência e fôlego na leitura de livros mais extensos.

Todas essas experiências, independentemente se acontecem na escola, em casa ou em outros momentos da vida de seu filho, contribuem para torná-lo mais interessado, envolvido e informado sobre o universo cultural e literário.

2. Mostra que a leitura é um prazer
É esperado que a escola solicite aos alunos que leiam livros como atividades obrigatórias e periódicas, que são, na maioria das vezes, escolhidos pelos próprios professores ou definidos pelos currículos nacionais.

No entanto, nas férias, a proposta é outra. É o momento de escolher o que queremos ler. É muito diferente quando enfrentamos a leitura de um livro porque ele atende a uma curiosidade nossa, seja porque a temática nos interessa, seja pelo autor que o escreveu ou seja porque foi indicado por um amigo.

A experiência de escolher o que se deseja ler também deve ser aprendida. Não é tão simples fazer uma escolha dentre tantas opções disponíveis nas estantes. Então, caso seu filho não se mostre estimulado com a ideia, ajude-o fazendo comentários sobre as obras, chamando-lhe a atenção sobre aspectos que podem lhe interessar, como: "olhe só, esse livro é sobre uma aventura na selva!", "essa história foi escrita por um autor que você conhece e gosta muito", "quando eu era pequeno, adorava essa história, acho que você também pode gostar!", "esse livro tem vários contos, podemos ler juntos".

Aos poucos, ele vai se habituar a ler, e mais: vai começar a optar pelas suas leituras, terá cada vez mais critérios para fazer suas escolhas. O importante é dar o primeiro passo!

3. É um bom divertimento para os dias de chuva
Em nosso país, as férias mais longas acontecem no final do ano. É verão, há muito sol e calor, mas também fortes chuvas. Às vezes, são tão intensas que somos impedidos de sair de casa. Nesta hora, um livro pode ser uma ótima companhia para sentar ou deitar em um lugar confortável e esperar a chuva passar. Ana Maria Machado, consagrada autora de livros infantis, escreveu um livro que, além de divertir, pode dar ótimas ideias!

Em Dia de Chuva, as crianças não se desanimam com as gotas que não param de molhar a janela. Vivem grandes aventuras sem sair da sala de casa: as almofadas do sofá se transformam em elefantes, as cadeiras, nos troncos das árvores e o inofensivo cachorrinho da casa, em uma fera. As ilustrações têm um papel importante nesse livro, pois, enquanto a narrativa relata a fantasia criada pelas crianças, as imagens contam a mesma história de outro ponto de vista.

4. Bibliotecas são uma ótima maneira de passar o tempo livre
As férias são longas e há tempo para fazer muitas coisas! Uma boa ideia é aproveitar os dias livres para ficarem sócios de uma biblioteca! Você pode acompanhar seu filho e juntos fazerem um reconhecimento do espaço.

Os livros estão separados por temas? Por faixa etária? O que compõe o acervo: apenas livros ou há revistas, gibis, filmes e outros? Como é feita a catalogação dos materiais? Podem ser emprestados? Como funciona?

Esse primeiro reconhecimento, em sua companhia, poderá tornar este ambiente mais amigável e convidativo para visitas futuras. Chame a atenção dele para o modo como os livros estão organizados e como se faz para localizá-los nas estantes. Essa etapa é fundamental para que ele possa aprender a fazer buscas com maior autonomia. Apresentem-se para a bibliotecária: provavelmente ela saberá informá-los sobre como devem proceder para se tornarem sócios e quais são as regras de empréstimos de materiais.

Caso você tenha perdido o hábito de frequentar bibliotecas, aí está uma ótima oportunidade de retomá-lo. Esses espaços vêm se modernizando e hoje abrigam um acervo mais vasto do que foi em outros tempos. Além disso, são uma boa alternativa para fazer empréstimos de livros no lugar de sempre comprá-los e, também, uma forma de potencializar os encontros com a literatura e com os espaços de leitura.

5. Pode render outras ideias
Basta fazer uma busca na internet ou conversar com um grupo de colegas para descobrir várias modalidades de amigos secretos: Amigo da Onça, Amigo Chocolate e há quem faça Amigo 1,99. E o Amigo Secreto Literário? Alguém já experimentou?

Compartilhar opiniões sobre os livros lidos e sugerir leituras aos colegas são práticas bem comuns entre leitores. Por que não aproveitar a ocasião para presentear o colega do trabalho, da sala ou de outros grupos com um bom livro? Se você tiver a chance, proponha a ideia. Sorteiem os nomes entre todos que desejam participar da brincadeira. No dia da troca de presentes, cada um deverá levar um livro de qualidade literária, com belas fotos e ilustrações e que possa agradar seu amigo.

Vale a pena lembrar a todos que, além das livrarias, os sebos possuem livros em bom estado, alguns de edições tão antigas que se tornaram verdadeiros tesouros. Daí pra frente segue-se da maneira tradicional: uma pessoa começa apresentando seu sorteado. Ela pode descrever suas características físicas, gostos literários ou outros aspectos que permitam aos demais identificá-lo. Ao ser descoberto, entrega o presente a este, que assume o centro da roda. E assim, sucessivamente, até todos ganharem seus livros.

E de largada, todos já têm boas opções de leitura nas férias!

Texto Maria Slemenson

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