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Mapa global de energia sofre mudança dramática

A Alemanha bate um recorde atrás do outro na produção de energia renovável. Países avançados investem bilhões em plantas solares na África. A China, que domina o mercado mundial da fabricação de painéis solares mas é ao mesmo tempo a maior emissora gobal de gases estufa, acelera esforços para reverter o quadro. Existem visíveis sinais de mudança no quadro energético mundial.

Em seu relatório anual lançado hoje em Londres, o World Energy Outlook, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que estas mudanças acontecem de forma dramática. Segundo ela, isto irá reconfigurar o papel de diferentes países, regiões e combustíveis no sistema energético global nas próximas décadas. Os Estados Unidos lideram a transformação, mas há potencial para uma alteração semelhante na eficiência energética mundial, disse a diretora executiva da agência, Maria van der Hoeven. “O relatório deste ano mostra que podemos até 2035 termos economias de energia equivalentes a um quinto da demanda mundial em 2010. Medidas crescentes para a eficiência podem servir como uma política unificadora que traz benefícios múltiplos”, acrescentou ela.

No entanto, o sistema ainda têm distorções sérias, como o aumento dos incentivos a combustíveis fósseis, de 30% entre 2010 e 2011, constrangendo esforços do setor de renováveis e a redução de gases estufa em todo o planeta. Estes subsídios totalizaram mais de U$ 520 bilhões no ano passado. Cerca de U$ 80 bilhões foram gastos no mesmo período como apoio à energia renovável.

O relatório da AIE também nota que a energia nuclear se encontra em baixa em vários países depois do acidente de Fukushima no ano passado.

“Levando em consideração todos os novos desenvolvimentos e políticas, o mundo ainda não está conseguindo colocar o sistema energético global em um caminho mais sustentável. A demanda de energia cresce em mais de um terço no período até 2035 no Cenário de Novas Políticas (nosso cenário central), com China, Índia e o Oriente Médio respondendo por mais de 60% do aumento”, afirma o relatório, segundo The Conversation.

A energia solar lidera o crescimento do setor de renováveis, mas apenas em 2035 ele irá se aproximar da indústria do carvão como a fonte primária de energia do mundo.

Apesar do avanço em renováveis, “edições sucessivas deste relatório mostram que a meta de limite do aquecimento global a 2ºC está se tornando mais difícil e custosa a cada ano que passa,” diz o trabalho. “Quase quatro quintos das emissões permissíveis em 2035 já estão comprometidas por usinas de energia, fábricas e edifícios existentes.”

José Eduardo Mendonça

 

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